Resumo do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Resumo do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Aqui você lerá um breve resumo do livro Quarto de Despejo e um pouco sobre a vida da autora, Carolina de Jesus.

Carolina de Jesus: Conheça a escritora

Quarto de Despejo é um livro inspirado nos diários escritos durante cinco anos por Carolina Maria de Jesus, uma mineira nascida em 1914. Ela teve em sua vida as marcas do sofrimento e maus tratos desde criança. Carolina também foi presa injustamente. Nesse sentido, só começou a ver uma luz no fim do túnel quando começou a publicação de seus livros. Foi assim que ela viu sua vida dando um passo para a mudança.

Em 1947, Carolina mudou-se para São Paulo, onde conseguiu um trabalho como doméstica na casa de um médico, que, gentilmente, a deixava ler os livros de sua biblioteca. Anos mais tarde, passou a viver em um barraco construído por ela mesma em uma favela no bairro de Canindé, zona norte da cidade paulista. Era uma mulher simples e mãe de três filhos. Trabalhava como catadora de papelão tentando sobreviver com o pouco de dinheiro que conseguia daquilo.

Dessa forma, foi durante uma visita do jornalista Audálio Dantas em Canindé que ele conheceu Carolina e leu seus diários. Assim, durante dois anos, o jornalista publicava trechos do diário em jornal, Folha da Noite, hoje conhecido como Folha de São Paulo, e depois em revista. Sendo assim, ele foi o responsável por editar o livro. Publicado em 1960, que vendeu mais de 10 mil de cópias na primeira semana de seu lançamento.

Quarto de Despejo já foi traduzido para diversos outros idiomas. Mesmo com o sucesso do livro na época, ainda ouve-se controversas de que o que mencionava em seus relatos era verdadeiro e que havia sido escrito por uma mulher negra.

Resumo do livro Quarto de Despejo

Em seus diários, Carolina escreve sobre como era sua vida e o que desejava. De forma crítica, ela colocava nos papéis a realidade que vivia nos dando a visão do que era o Brasil e as dificuldades daquela época, sem deixar de fora os fatos em detalhes. Carolina descrevia sua vivência da forma que se sentia diante daquela situação, um “nada”.

Em sua narração, Carolina de Jesus relata a dura realidade daquela época, as suas dificuldades, a fome, racismo, a desigualdade, tudo aquilo que estava ao seu redor todos os dias. Em alguns pontos vemos a sua angústia para conseguir algum tipo de alimento para seus filhos. Também sentindo a dor de não poder alimentá-los, ela até cogita a possibilidade de acabar com a própria vida e das crianças.

Dantas, entretanto, fez com que o livro fosse completamente pessoal, para que realmente tivesse o ponto de vista da realidade lá vivida. Fez apenas o necessário para compreensão as pessoas ao lerem. Porém, não modificou as palavras da escrita da autora mesmo contendo alguns erros gramaticais.

Problemas com os vizinhos

Ela também conta que muitos dos seus vizinhos eram alcoólatras e diversas vezes isso provocava as brigas constantes na favela entre os moradores. Em alguns trechos também mostra sua repulsa por aquele lugar, citando que havia brigas constantes. Além da dificuldade de criar os filhos em um ambiente que não era ideal para eles. O que mostra que Carolina, mesmo morando na favela não tinha um convívio amistoso com alguns de seus vizinhos, sendo muitas vezes atacada verbalmente. Os ataques pioraram quando seus trechos começaram a ser publicados. Já que seus vizinhos começaram a ser expostos, sendo até apedrejada por eles quando estava se mudando da favela.

Tópicos importantes

Entretanto, apesar de ter 60 anos, o livro é um relato tão atual. Pontuando casos de racismo no qual as pessoas sempre criam um estereótipo de que uma pessoa negra que mora na comunidade é um marginal ou muitas das vezes, apenas por seu tom de pele, já criam essa ideia. Mulheres sendo agredidas fisicamente por seus maridos, abusos contra mulheres e crianças. Além disso tudo, havia a falta de apoio do governantes para àqueles que precisam, a desigualdade que nos últimos anos voltou a crescer bastante no país, deixando muitos em condições precárias.

Carolina deixa extremamente claro de que esses moradores não tinham nenhum apoio do governo e eram menosprezados pelo fato de a necessidade lhes levarem a viverem em um lugar tão precário.

Mas, então, lembramos que naquela época, em meados dos anos 50, as favelas começavam a criar um grande espaço na cidade e os próprios governantes “descartavam” as pessoas para aquele lugar como forma de despoluir a cidade. Em outras palavras, jogavam-se as pessoas que moravam nas ruas da grande cidade nas favelas para que os bairros mais favoráveis se mantivessem “limpos”.

Após publicação no Brasil, o livro teve sua publicação nos Estados Unidos e ficou sendo um dos maiores livros de um autor brasileiro. No entanto, há relatos de que Carolina pouco teve lucro com sua obra, já que sua obra era direito autoral da editora na época de publicação.

Carolina de Jesus
Carolina de Jesus
Créditos: Rádio Universitária FM

Outras obras da autora

Depois de publicar “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, Carolina também escreveu “Casa de Alvenaria” onde relata seus dias após a mudança que houve em sua vida após a publicação do primeiro livro e a saída da favela. O livro teve sua publicação em 1961.

Em 1963 publicou mais dois livros, “Pedaços de Fome” seu primeiro romance e “Provérbios”. No entanto, não tiveram tanto sucesso quando seu primeiro. Escreveu outros manuscritos que tiveram publicação após sua morte. Entre eles “Diário de Bitita”, “Um Brasil para Brasileiros”, “Meu Estranho Diário”, “Antologia Pessoal”.

Em 1971, a história de Carolina foi contada em um documentário alemão, “Favela – A Vida na Pobreza” (em português). No entanto, na época não houve permissão para a sua exibição no Brasil por mostrar a situação da favela de Canindé, onde ela morou por vários anos. Dessa forma, o filme só lançou no Brasil em 2014, para comemorar o centenário de seu nascimento.

Carolina de Jesus faleceu em 1977, após uma complicação em sua saúde provocada pela asma.

Representatividade

Entretanto, em um mundo onde muitas mulheres negras não eram vistas aos olhos da sociedade, Carolina colocou-se em evidência. Já que não ficou calada diante das injustiças sociais. Além disso, foi uma das poucas mulheres negras no Brasil a publicar um livro e é uma das mais conhecidas no exterior.

Em 2021 a escola de samba Colorado do Brás fará uma homenagem à autora e sua obra através do samba enredo “Carolina — A Cinderela Negra do Canindé”.

“É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos” – Carolina de Jesus, “Quarto de Despejo”.

 

Gostou do nosso resumo do livro Quarto de Despejo? Então, deixe um comentário com a sua opinião e aproveite para ler nosso artigo de O Diário de Anne Frank.

Vitoria Azevedo

Vitoria Azevedo

Sou formada em Letras-Espanhol e minha paixão pela leitura vem desde criança. Meus livros favoritos são de fantasia, romance de época e ficção científica. Siga meu instagram literário: @desveloliterario

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *