Qual o foco narrativo do conto A Cartomante?

O foco narrativo do conto A Cartomante de Machado de Assis é é em terceira pessoa, com um narrador onisciente, ou seja, que conhece os pensamentos, sentimentos e intenções das personagens, especialmente de Rita e Camilo.

Essa escolha de foco narrativo é fundamental para a construção da ironia e do desfecho trágico da história.

O que é foco narrativo?

Antes de entrar especificamente no conto A Cartomante, é importante entender o conceito. Foco narrativo é o ponto de vista a partir do qual a história é contada. Ele determina quem narra, o que é revelado ao leitor e o grau de conhecimento que o narrador tem sobre os acontecimentos.

Os focos narrativos mais comuns são:

  • narrador em primeira pessoa
  • narrador em terceira pessoa observador
  • narrador em terceira pessoa onisciente

No conto de Machado de Assis, a escolha é bastante clara.

O foco narrativo em A Cartomante

O foco narrativo do conto A Cartomante é terceira pessoa onisciente. O narrador não participa da história como personagem, mas acompanha os acontecimentos de fora, com pleno conhecimento da vida interior das personagens.

Esse narrador sabe:

  • o que Camilo pensa
  • os medos e dúvidas de Rita
  • a relação dos dois
  • o perigo que se aproxima, mesmo antes das personagens perceberem

Essa onisciência permite que o leitor tenha uma visão mais ampla da trama, enquanto as personagens seguem presas às próprias ilusões.

Como o narrador se manifesta no texto

O narrador descreve ações, ambientes e pensamentos sem se limitar a um único personagem. Em vários momentos, ele entra na mente de Camilo, mostrando seu ceticismo inicial em relação à cartomancia e, depois, seu medo crescente.

Ao mesmo tempo, revela a confiança exagerada de Rita nas previsões da cartomante. Essa alternância de pontos de vista internos só é possível porque o narrador é onisciente.

Por que Machado de Assis escolheu esse foco narrativo?

Machado de Assis utiliza o narrador em terceira pessoa onisciente para reforçar a ironia do conto. O leitor percebe contradições, autoenganos e sinais de tragédia antes das próprias personagens.

Enquanto Rita se apega à superstição e Camilo oscila entre razão e medo, o narrador conduz o leitor com uma visão mais ampla, preparando o terreno para o desfecho inesperado.

Esse foco narrativo contribui para o tom crítico da obra, típico do Realismo machadiano.

O foco narrativo e a ironia do conto

A ironia é um dos elementos centrais de A Cartomante. O narrador deixa claro, desde o início, que as personagens confiam em algo ilusório. O leitor percebe a fragilidade dessa crença muito antes do final.

Se o conto fosse narrado em primeira pessoa, essa ironia seria reduzida, pois o leitor estaria limitado à visão de uma única personagem. A onisciência do narrador amplia o contraste entre aparência e realidade.

O narrador julga as personagens?

Embora não faça julgamentos diretos, o narrador adota um tom sutilmente crítico. Ele expõe as incoerências dos personagens, especialmente a contradição de Camilo, que se diz racional, mas acaba cedendo ao medo e à superstição.

Essa postura é típica de Machado de Assis, que prefere sugerir ao leitor, em vez de afirmar explicitamente.

Diferença entre narrador onisciente e narrador observador

É comum confundir esses dois tipos de narrador. No conto A Cartomante, o narrador não é apenas observador, porque ele não se limita a descrever ações externas.

Ele conhece pensamentos, sentimentos e motivações internas. Isso confirma o foco narrativo em terceira pessoa onisciente.

O foco narrativo ajuda a construir o suspense?

Sim. Ao revelar parcialmente os pensamentos das personagens, o narrador cria tensão. O leitor percebe que algo está errado, mesmo quando as personagens acreditam que tudo ficará bem.

A visita à cartomante, por exemplo, é carregada de suspense justamente porque o narrador mostra o medo de Camilo e a confiança cega de Rita, criando expectativa em relação ao que vai acontecer.

O foco narrativo e o desfecho do conto

O final trágico de A Cartomante ganha ainda mais força por causa do foco narrativo. O leitor já vinha sendo preparado psicologicamente para a tragédia, mas ainda assim é surpreendido pela rapidez e brutalidade do desfecho.

O narrador não ameniza os fatos nem protege o leitor. Ele relata o acontecimento de forma direta, reforçando a crítica à superstição e à ilusão.

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Perguntas frequentes sobre qual o foco narrativo do conto A Cartomante

Qual é o foco narrativo do conto “A Cartomante”?

O foco narrativo do conto A Cartomante, de Machado de Assis, é terceira pessoa, com narrador onisciente. Esse narrador conhece os pensamentos, sentimentos e intenções das personagens e acompanha os acontecimentos sem participar da história como personagem.

Qual é o foco narrativo no conto?

No conto, o foco narrativo é em terceira pessoa, permitindo ao narrador observar os fatos de fora e, ao mesmo tempo, revelar o que se passa no interior das personagens. Essa escolha amplia a compreensão do leitor sobre os conflitos e contradições da trama.

Qual é o tema central do conto “A Cartomante”?

O tema central do conto A Cartomante é a crença na superstição em contraste com a razão, além da ironia do destino. Machado de Assis explora o autoengano humano, o medo, a traição e as consequências de confiar em ilusões em vez da realidade.

Qual é o foco narrativo utilizado pelo autor?

Machado de Assis utiliza o foco narrativo em terceira pessoa onisciente, estratégia que permite criar ironia, suspense e crítica psicológica. Esse tipo de narrador conduz o leitor com uma visão mais ampla dos acontecimentos, antecipando tensões que as personagens não percebem.

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