O principal objetivo de trabalhar folclore na educação infantil é aproximar as crianças das manifestações culturais presentes em sua comunidade e em diferentes regiões do Brasil. Por meio de histórias, cantigas, brincadeiras, festas, parlendas e personagens populares, a escola ajuda os pequenos a reconhecer costumes, ampliar o repertório e compreender que a cultura é construída e transmitida entre gerações.
Esse trabalho não deve se limitar ao Dia do Folclore, comemorado em 22 de agosto. O tema pode integrar diferentes experiências ao longo do ano, favorecendo a oralidade, a criatividade, a convivência e a valorização da diversidade cultural.
Qual é o objetivo de trabalhar folclore na educação infantil?
Na educação infantil, o folclore funciona como uma ponte entre as experiências familiares da criança e o conhecimento apresentado pela escola. Muitas cantigas, brincadeiras e expressões populares já fazem parte do cotidiano infantil, ainda que os alunos não saibam identificá-las como manifestações folclóricas.
O propósito pedagógico é permitir que as crianças conheçam, experimentem e compartilhem essas tradições. Isso inclui compreender que histórias e costumes podem variar conforme a região, a família e o grupo social.
O trabalho também contribui para a formação da identidade. Ao reconhecer uma cantiga ensinada pelos avós, uma receita preparada em casa ou uma lenda conhecida na comunidade, a criança percebe que sua história possui valor e pode ser compartilhada.
Principais objetivos pedagógicos do tema
Os objetivos precisam considerar a idade da turma e priorizar experiências concretas, lúdicas e participativas. Entre as possibilidades estão:
- conhecer lendas, cantigas, parlendas, adivinhas e brincadeiras populares;
- desenvolver a escuta, a fala e a capacidade de recontar histórias;
- ampliar o vocabulário e o repertório cultural;
- estimular a imaginação, a expressão corporal e a criatividade;
- valorizar tradições familiares, locais e regionais;
- perceber diferenças e semelhanças entre manifestações culturais;
- fortalecer a convivência, a cooperação e o respeito;
- explorar diferentes linguagens, como desenho, música, dança e dramatização.
Esses objetivos dialogam com os campos de experiências da educação infantil, pois envolvem comunicação, movimento, interação, percepção de si e do outro, exploração de sons, formas, cores e narrativas.
Como abordar o folclore sem reforçar estereótipos
Apresentar somente personagens como Saci, Curupira e Iara pode reduzir o folclore a um conjunto de figuras fantásticas. As lendas são relevantes, mas o conteúdo é mais amplo. Ele também abrange festas, comidas, artesanato, provérbios, trava-línguas, danças, jogos e modos de contar histórias.
É recomendável apresentar personagens de maneira contextualizada, evitando transformar culturas indígenas, africanas ou regionais em fantasias genéricas. O professor pode explicar, em linguagem acessível, que as narrativas possuem versões diferentes e foram modificadas ao serem contadas por diversas pessoas.
A proposta não é determinar qual versão está correta, mas mostrar que a tradição oral se transforma. Essa abordagem estimula a curiosidade e ensina a criança a respeitar diferentes formas de interpretar e transmitir uma história.
Como planejar atividades sobre folclore
O planejamento deve partir de um objetivo claro. Se a intenção é desenvolver oralidade, a turma pode ouvir uma lenda, conversar sobre os acontecimentos e produzir um reconto coletivo. Para explorar movimento e convivência, brincadeiras de roda, amarelinha, peteca ou passa-anel são alternativas adequadas.
O professor também pode registrar os conhecimentos prévios da turma: quais cantigas conhecem, quais histórias ouviram em casa e quais brincadeiras praticam com familiares. Essas informações ajudam a construir atividades próximas da realidade dos alunos.
Organizar objetivos, recursos, etapas e formas de acompanhamento facilita a execução da proposta. As orientações sobre como preencher o plano de aula podem ajudar a transformar uma ideia temática em uma sequência pedagógica coerente.
Atividades que desenvolvem diferentes aprendizagens
Uma sequência pode começar com a leitura de uma lenda ilustrada. Depois, as crianças podem identificar personagens, cenários e acontecimentos, expressando suas impressões por meio de desenhos, modelagem ou dramatização. O professor pode registrar as falas e montar um livro coletivo da turma.
Parlendas e trava-línguas favorecem ritmo, memória, pronúncia e percepção sonora. Já as adivinhas estimulam a formulação de hipóteses. Embora destinadas a alunos maiores, propostas de textos divertidos com interpretação podem inspirar adaptações orais e ilustradas para as crianças pequenas.
Outra possibilidade é pesquisar brincadeiras conhecidas pelas famílias. Cada criança pode trazer uma cantiga ou brincadeira ensinada por alguém de casa. A turma experimenta as sugestões e compara regras, nomes e variações.
Para dar continuidade ao desenvolvimento da leitura em etapas posteriores, atividades de interpretação de texto para o 5º ano mostram como narrativas e conhecimentos culturais podem ser retomados com maior complexidade.
Como avaliar a aprendizagem das crianças
A avaliação deve ocorrer pela observação e pelo registro das experiências. O professor pode acompanhar se a criança participa das rodas de conversa, reconhece manifestações culturais, reconta partes de uma história, respeita os colegas e utiliza diferentes linguagens para comunicar o que aprendeu.
Não é necessário exigir memorização de nomes, datas ou versões consideradas oficiais. O mais relevante é perceber como cada criança amplia seu repertório, estabelece relações com suas vivências e participa das propostas.
Trabalhado dessa maneira, o folclore deixa de ser uma atividade isolada e ganha sentido educativo. Ele aproxima escola, família e comunidade, valoriza diferentes identidades e oferece experiências ricas para o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da expressão e da convivência.
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.




