ela conquistou o certificado de conclusão do ensino médio pelo Encceja

Deixou a escola aos 13 anos, viveu 12 anos nas ruas e concluiu o ensino médio pelo Encceja aos 34

Durante 12 anos, Thais Barbosa viveu nas ruas do Rio de Janeiro e enfrentou a dependência de crack. A escola havia ficado para trás aos 13 anos. Em 2026, aos 34, sua história ganhou um novo capítulo: ela conquistou o certificado de conclusão do ensino médio pelo Encceja, depois de enfrentar dificuldades em matemática e insistir nos estudos.

O caminho até a certificação exigiu mais de uma tentativa. Thais precisou recuperar conteúdos escolares, reorganizar sua rotina e encontrar alternativas gratuitas para estudar. As videoaulas disponíveis no YouTube ajudaram na preparação para a aprovação que tanto desejava.

A trajetória foi apresentada pela jornalista Luiza Tenente em uma reportagem do g1 publicada em 9 de outubro de 2026. Agora, com a escolaridade concluída, Thais procura uma oportunidade de emprego e deseja transformar o conhecimento adquirido em novas possibilidades profissionais.

Thais deixou a escola aos 13 anos e passou 12 anos vivendo nas ruas

A história de Thais começou a se distanciar da educação formal ainda na adolescência. Ela frequentava uma escola pública na zona norte do Rio de Janeiro, mas interrompeu os estudos aos 13 anos.

Durante o período em que viveu nas ruas, enfrentou a dependência química e situações de violência. Foram aproximadamente 12 anos marcados por dificuldades que a afastaram da vida escolar e da estabilidade que desejava conquistar.

A mudança começou a ganhar forma quando conheceu o homem que se tornaria seu marido. Segundo o relato publicado pelo g1, os dois construíram um plano para reorganizar suas vidas, especialmente depois que Thais engravidou.

Concluir os estudos passou a integrar esse projeto familiar. Ela queria ampliar suas possibilidades de trabalho, alcançar maior segurança financeira e proporcionar melhores condições de vida à família.

Para alguém que havia interrompido a escolarização tão cedo, retomar os estudos representava um desafio. Thais precisava recuperar conhecimentos e encontrar uma maneira de comprovar sua formação escolar.

O Encceja permitiu que ela concluísse primeiro o ensino fundamental

Foi por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) que Thais encontrou uma alternativa para recuperar a formação escolar.

Na primeira tentativa, conseguiu alcançar a pontuação necessária para obter o certificado de conclusão do ensino fundamental. A conquista representou a primeira etapa de seu retorno à educação formal.

Depois disso, trabalhou como camareira e arrumadeira, atividades que fizeram parte de seu processo de reorganização profissional.

Mas seu objetivo era avançar. Thais queria também o certificado do ensino médio, documento importante para ampliar suas possibilidades de qualificação e participação em processos seletivos de emprego.

O novo desafio, entretanto, exigiria mais tempo e dedicação do que ela imaginava.

Matemática foi o maior obstáculo para conseguir o certificado do ensino médio

Durante dois anos, Thais realizou provas do Encceja sem alcançar a pontuação mínima exigida em matemática. A dificuldade nessa disciplina acabou prolongando sua busca pela certificação.

O problema era especialmente relevante porque, no exame, o participante precisa demonstrar proficiência nas diferentes áreas do conhecimento. Uma pontuação insuficiente em matemática pode impedir a certificação completa, mesmo quando o candidato já obteve resultados satisfatórios nas demais áreas.

Thais continuou estudando. Para reforçar os conteúdos, recorreu a videoaulas gratuitas disponíveis no YouTube, uma alternativa acessível para revisar assuntos e acompanhar explicações fora de uma sala de aula tradicional.

O esforço trouxe resultado. Conforme a reportagem do g1, ela conquistou o diploma do ensino médio em 2026.

Sua experiência mostra uma característica importante do Encceja: a possibilidade de realizar novas tentativas e aproveitar a proficiência já demonstrada em determinadas áreas, respeitando as regras oficiais do exame.

Por que não passar em matemática pode atrasar a certificação pelo Encceja?

O Encceja avalia conhecimentos adquiridos tanto na escola quanto em experiências educativas fora dela. No ensino médio, o exame é composto por quatro provas objetivas, com 30 questões cada, e uma redação.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para alcançar a certificação completa, o participante precisa obter:

  • Pelo menos 100 pontos em Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  • Pelo menos 100 pontos em Matemática e suas Tecnologias;
  • Pelo menos 100 pontos em Ciências Humanas e suas Tecnologias;
  • Pelo menos 100 pontos em Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
  • Nota igual ou superior a 5 na redação, avaliada de zero a dez.

A pontuação das provas objetivas utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Por isso, atingir 100 pontos não corresponde necessariamente a acertar uma quantidade fixa de questões.

Quem reprova em apenas uma disciplina precisa fazer todas as provas novamente?

Uma das características do Encceja é a possibilidade de aproveitar resultados anteriores. Quem alcança a pontuação mínima em determinadas áreas pode solicitar uma Declaração Parcial de Proficiência.

Esse documento permite comprovar as áreas em que o participante já demonstrou o conhecimento necessário. Em uma edição posterior, ele poderá se inscrever nas áreas restantes, conforme as regras aplicáveis.

Assim, uma pessoa que tenha obtido a proficiência necessária em todas as áreas, exceto matemática, pode concentrar sua próxima tentativa nessa disciplina.

As condições de certificação e aproveitamento de resultados estão detalhadas nas orientações oficiais do Inep sobre o Encceja.

Videoaulas gratuitas ajudaram Thais a conquistar a aprovação

Outro aspecto da história é o papel dos recursos educacionais gratuitos. Sem depender exclusivamente de aulas presenciais, Thais utilizou vídeos disponíveis na internet para revisar conteúdos e continuar sua preparação.

Embora a reportagem não detalhe quais canais ela acompanhava, sua experiência evidencia como materiais acessíveis podem complementar a aprendizagem de adultos que estão há muitos anos afastados da escola.

Para quem enfrenta dificuldades semelhantes em matemática, uma estratégia de estudo possível é identificar os conteúdos em que há mais erros, revisar os conceitos básicos, acompanhar explicações e resolver exercícios de avaliações anteriores.

O próprio Inep disponibiliza recursos gratuitos que podem ajudar nessa preparação:

Esses materiais podem ser utilizados de acordo com as dificuldades individuais. Para adultos que trabalham ou possuem responsabilidades familiares, organizar períodos curtos e regulares de estudo também pode ser uma alternativa prática.

Com o ensino médio concluído, Thais agora procura uma oportunidade de trabalho

A conquista escolar representou uma etapa importante na trajetória de Thais, mas seus objetivos continuam. Aos 34 anos, ela busca uma nova oportunidade no mercado de trabalho.

Apesar de já ter exercido atividades profissionais, enfrenta dificuldades relacionadas à experiência exigida por empregadores. O certificado amplia sua escolaridade formal, mas a conquista de um emprego ainda depende de outros fatores.

À reportagem do g1, Thais resumiu o significado pessoal da conquista: “Só preciso de uma chance. Mas conquistei o principal: estudei.”

A educação também ocupa um espaço importante na maneira como ela acompanha o crescimento do filho, Lorenzo. Segundo a reportagem, o menino, de 8 anos, recebe o apoio dos pais nas tarefas escolares e participa de atividades complementares, como aulas de inglês e natação.

Depois de tantos anos afastada da escola, Thais passou a valorizar o acompanhamento da vida escolar do filho e a possibilidade de oferecer a ele oportunidades diferentes das que teve durante a infância.

Sua trajetória reúne mudanças familiares, enfrentamento da dependência química, trabalho e retomada da educação. A conclusão do ensino médio representa uma conquista concreta dentro desse processo.

Para outras pessoas que interromperam os estudos, a história também apresenta uma possibilidade real: recuperar a escolaridade por meio de um exame público, gratuito e voltado a jovens e adultos.

O certificado conquistado por Thais registra uma etapa concluída. Agora, ela espera que essa formação ajude a abrir o próximo caminho: uma oportunidade profissional.

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