O motorista Ruberval Nascimento, de 70 anos, concluiu a primeira Turma Introdutória de Alfabetização da Universidade Aberta da Pessoa Idosa, na Ufes, com um desejo: ler para os netos e assinar o próprio nome.
Ruberval Nascimento concluiu uma turma introdutória de alfabetização ao lado de outros 25 estudantes; o apoio familiar acompanhou a retomada. Foi o desejo de ler para os netos e de assinar o próprio nome que levou o motorista a voltar a estudar. Ele participou da primeira Turma Introdutória de Alfabetização da Universidade Aberta da Pessoa Idosa, a UnAPI.
A formatura aconteceu em 6 de outubro de 2026, no Teatro Universitário, no campus de Goiabeiras, em Vitória. A cerimônia integrou as comemorações dos 30 anos do programa.
“Agora, vou ler para os meus netos e assinar o meu nome”, declarou à Universidade Federal do Espírito Santo.
O trabalho na infância interrompeu a escola
Ruberval havia deixado os estudos para trabalhar na roça. Depois, o casamento e a necessidade de sustentar a família ocuparam sua trajetória. Com os anos, contou ter esquecido conteúdos aprendidos na terceira série.
O desejo de regressar à sala de aula permaneceu, acompanhado pelo incentivo familiar. Décadas depois, encontrou uma oportunidade de retomar a aprendizagem.
Sua história permite olhar para a alfabetização por uma perspectiva cotidiana: participar da leitura de uma história em família, reconhecer palavras e escrever a própria assinatura são objetivos concretos para quem retorna aos estudos.
Uma oportunidade que começou perto dos estudantes
A iniciativa itinerante começou em março de 2026, com apoio do Centro de Referência de Assistência Social de João Neiva. O atendimento local identificou pessoas idosas que precisavam de alfabetização, mobilizou os interessados e os encaminhou às inscrições.
Esse caminho ajuda a compreender uma parte decisiva do acesso à educação: a oportunidade precisa chegar ao conhecimento de quem pode utilizá-la.

Para uma família que deseja apoiar alguém nessa retomada, uma providência útil é buscar informações junto à rede local. Saber onde perguntar, como chegar e com quem conversar transforma uma intenção em um próximo passo possível.
Como apoiar um familiar que quer voltar a estudar
O apoio pode começar com uma conversa sobre o que a pessoa gostaria de aprender. Ler mensagens, acompanhar um livro, escrever bilhetes ou compreender avisos são exemplos de interesses que podem orientar essa conversa.
Em vez de escolher tudo por ela, pergunte quais horários funcionam e que tipo de ajuda seria bem-vinda. A decisão de retomar os estudos deve preservar sua autonomia.
Na organização da rotina, algumas atitudes podem facilitar o começo:
- Ajudar a localizar uma escola ou um projeto de alfabetização.
- Conferir horários, endereço e possibilidades de deslocamento.
- Reservar um lugar confortável para guardar e utilizar os materiais.
- Combinar momentos de leitura, se houver interesse.
- Respeitar dúvidas e tentativas, sem transformar a atividade em cobrança.
Também convém evitar comparações com crianças ou com outras pessoas da turma. Cada estudante chega com experiências, conhecimentos e necessidades próprios. O acompanhamento pode valorizar uma conquista específica, como reconhecer uma palavra ou escrever uma frase com menos ajuda.
Ler em família pode começar com um texto curto
Para quem deseja compartilhar leituras com os netos, uma sugestão é escolher, junto com o professor, um texto breve e adequado ao momento de aprendizagem.
Uma atividade possível é começar pelo título: observar as palavras, conversar sobre o assunto e identificar o que já é conhecido. Depois, a leitura pode seguir em pequenos trechos, com ajuda quando solicitada.
Se a pessoa quiser, familiares podem alternar as partes do texto. Ao terminar, conversar sobre um personagem ou um acontecimento cria espaço para interpretação e troca de experiências.
A escolha do material merece participação de quem está aprendendo. Um conto, uma receita de família ou uma pequena notícia podem despertar interesses diferentes. Textos destinados a crianças fazem sentido quando o objetivo é ler com os netos; outros assuntos também devem ter lugar na rotina do estudante adulto.
Essas são sugestões de convivência e prática. O professor pode indicar materiais e atividades conforme as necessidades observadas em aula.
Onde procurar alfabetização para adultos e idosos
Quem pretende retomar os estudos pode procurar a Secretaria de Educação do município ou uma escola que ofereça Educação de Jovens e Adultos, a EJA, e perguntar sobre o atendimento para alfabetização.
O Programa Brasil Alfabetizado também atende jovens, adultos e idosos, com participação das redes locais. A oferta deve ser consultada no município.
Outra ferramenta é o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos — CadEJA, do Ministério da Educação, que permite buscar escolas próximas.
Ao entrar em contato, vale perguntar sobre turmas disponíveis, matrícula, documentação e horários. Um familiar pode acompanhar essa busca e ajudar a registrar as informações.
Que leitura você gostaria de compartilhar com alguém da sua família que está retomando os estudos?
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.





