Depois de 25 anos longe da escola, mulher passa no Encceja e realiza o sonho de cursar Educação Física

Depois de 25 anos longe da escola, mulher passa no Encceja e realiza o sonho de cursar Educação Física

Depois de passar 25 anos longe da escola, Maria de Nazaré da Silva Fonteles decidiu retomar os estudos e conseguiu transformar um antigo sonho em realidade. Moradora de Benevides, no Pará, ela voltou à sala de aula em 2024, conquistou a aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e ingressou na faculdade de Educação Física.

A trajetória foi divulgada pela Prefeitura de Benevides em 16 de março de 2026. Na ocasião, Maria de Nazaré já estava no terceiro semestre da graduação, depois de ter encontrado na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a oportunidade de concluir uma etapa importante da formação escolar.

Sua história faz parte de um grupo de mulheres que retornaram aos estudos pela mesma escola, conseguiram a certificação do ensino médio e chegaram ao ensino superior.

Maria de Nazaré voltou à escola em 2024, após 25 anos sem estudar

O retorno aconteceu na Escola Angélica Sales, instituição da rede municipal de Benevides que oferece atendimento na modalidade Educação de Jovens e Adultos.

Em 2024, Maria de Nazaré ingressou em uma turma da EJA com um objetivo definido: concluir o ensino médio para buscar uma vaga na universidade.

Naquele momento, já haviam se passado 25 anos desde que ela tivera a oportunidade de frequentar a escola. A distância entre a antiga experiência escolar e o novo projeto de vida representava uma etapa importante a ser superada.

De acordo com o relato publicado pela Prefeitura de Benevides, a estudante encontrou incentivo na instituição e conseguiu realizar o Encceja dentro de aproximadamente um ano após seu retorno.

A aprovação permitiu que avançasse em direção à graduação que desejava cursar.

Com a aprovação no Encceja, ela iniciou a faculdade de Educação Física

O sonho de Maria de Nazaré era trabalhar ajudando outras pessoas por meio da Educação Física. Por isso, concluir a educação básica representava uma conquista diretamente relacionada aos seus planos profissionais.

Depois de alcançar o resultado necessário no Encceja, ela decidiu dar continuidade aos estudos e se matriculou em uma instituição de ensino superior.

Em março de 2026, quando sua trajetória foi apresentada pela administração municipal, Maria de Nazaré já frequentava o terceiro semestre de Educação Física.

Maria de Nazaré da Silva Fonteles decidiu retomar os estudos e conseguiu transformar um antigo sonho em realidade
Maria de Nazaré da Silva Fonteles decidiu retomar os estudos e conseguiu transformar um antigo sonho em realidade (Imagem: Divulgação)

Em seu depoimento, a universitária destacou a importância das pessoas que a acompanharam durante o retorno à escola e explicou que desejava alcançar aquele objetivo para atuar na profissão escolhida.

A experiência também deixou uma mensagem que ela decidiu compartilhar com quem enfrenta dificuldades para recomeçar:

“Fácil não foi e nunca vai ser, mas não tentar é muito pior.”

A declaração foi registrada na reportagem oficial da Prefeitura de Benevides, publicada em 16 de março de 2026.

Outras três mulheres da mesma escola também chegaram à universidade

Maria de Nazaré não foi a única estudante da Escola Angélica Sales a alcançar o ensino superior após participar da EJA e realizar o Encceja.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Benevides, seis alunas conseguiram aprovação no exame, e quatro delas já estavam matriculadas em cursos de graduação quando a reportagem foi publicada.

Além de Maria de Nazaré, a notícia apresentou as trajetórias de outras três estudantes:

  • Irônica Alves de Castro: retornou aos estudos após mais de 20 anos, realizou o Encceja e, posteriormente, o Enem. Conquistou uma vaga em Pedagogia na Universidade Federal do Pará (UFPA).
  • Diany Oliveira: retomou a formação escolar pela EJA e conseguiu ingressar no curso superior de Pedagogia, área na qual desejava construir sua carreira.
  • Antônia Nayane de Sousa Barbosa: voltou a estudar após 13 anos, concluiu o ensino médio e ingressou na faculdade de Administração, conciliando a formação com seu trabalho na área de vendas.

As quatro frequentaram a Escola Angélica Sales e receberam acompanhamento do professor Clayton Assad, mencionado na publicação municipal pelo incentivo oferecido às estudantes.

As experiências apresentam diferentes períodos de afastamento da escola e objetivos profissionais distintos, mas possuem um ponto em comum: a retomada dos estudos permitiu que essas mulheres alcançassem uma etapa de formação que desejavam havia muitos anos.

Como o Encceja permite que adultos retomem os estudos e cheguem à faculdade?

O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos é uma avaliação organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Seu objetivo é avaliar conhecimentos e competências de pessoas que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade habitual.

Para buscar a certificação do ensino médio pelo Encceja, o participante precisa ter, no mínimo, 18 anos completos na data da prova.

Conforme as orientações oficiais do Inep, a certificação exige:

  • Alcançar pelo menos 100 pontos em cada uma das quatro áreas de conhecimento avaliadas.
  • Obter nota igual ou superior a 5 na redação, cuja pontuação varia de 0 a 10.
  • Solicitar o certificado à instituição certificadora responsável, conforme os procedimentos estabelecidos por ela.

O certificado de conclusão do ensino médio permite comprovar essa etapa da escolaridade, requisito para ingressar em cursos de graduação.

Entretanto, é importante compreender a diferença entre a certificação e o acesso à universidade. Ser aprovado no Encceja não significa conquistar automaticamente uma vaga no ensino superior. O candidato ainda precisa atender às condições de ingresso estabelecidas pela instituição, como participação no Enem, vestibular ou outro processo seletivo.

Na trajetória de Maria de Nazaré, a notícia municipal confirma a aprovação no Encceja e a matrícula em Educação Física, mas não identifica qual processo de ingresso ela utilizou.

Outra distinção importante é que a EJA e o Encceja são caminhos diferentes de retomada da escolaridade. A EJA é uma modalidade de ensino, enquanto o Encceja é uma avaliação destinada à certificação de conhecimentos e competências.

Quem deseja conhecer as regras e os procedimentos pode consultar as orientações oficiais do Inep sobre o Encceja.

O que a história de Maria de Nazaré ensina sobre voltar a estudar na vida adulta?

A trajetória de Maria de Nazaré mostra que o retorno à educação formal pode acontecer mesmo depois de um longo período de afastamento.

Seu percurso reuniu três momentos distintos: a decisão de procurar novamente uma escola, a obtenção da certificação do ensino médio e o ingresso em um curso superior relacionado ao trabalho que desejava desenvolver.

O acompanhamento oferecido pela Escola Angélica Sales também aparece como parte relevante dessa experiência. O relato municipal destaca a participação dos professores e o incentivo recebido pelas estudantes durante a preparação para o exame.

Para adultos que desejam retomar a formação, conhecer a oferta de EJA na rede pública e verificar os requisitos do Encceja são caminhos possíveis para iniciar esse processo.

O caso de Maria de Nazaré ganhou destaque justamente porque a conquista ultrapassou a conclusão do ensino médio. Depois de 25 anos afastada da escola, ela conseguiu chegar à graduação e começar a se preparar para exercer a profissão que havia escolhido.

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