O repertório para desigualdade social é o que mais trava quem vai escrever uma boa redação. O tema cai, você sabe do problema, mas falta aquela referência certeira para sustentar o argumento e mostrar domínio do assunto. Nós sabemos como isso derruba nota.
O que é repertório sociocultural e por que ele pesa na desigualdade social
Repertório sociocultural é o conjunto de referências externas que você usa para sustentar um argumento. Pode ser:
- Pensadores e filósofos;
- Conceitos sociológicos;
- Dados históricos;
- Exemplos do Brasil atual;
- Obras, ideias e análises reconhecidas.
Quando o tema é desigualdade social, o corretor espera que você vá além do óbvio. Falar apenas que “existe pobreza” não sustenta tese. O repertório mostra que você entende as causas, as estruturas e as consequências do problema.
E detalhe importante: repertório não precisa ser citação decorada. Precisa ser bem usado.
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Conceitos essenciais para falar de desigualdade social com propriedade
Antes de entrar nos autores, vale dominar alguns conceitos que funcionam como base para qualquer argumentação sólida.
Desigualdade social não é só renda
Desigualdade social envolve diferenças estruturais no acesso a direitos básicos. Entre eles:
- Educação de qualidade;
- Saúde;
- Moradia;
- Saneamento básico;
- Trabalho digno;
- Participação política.
Essas desigualdades se acumulam e se reproduzem ao longo do tempo.
Meritocracia como discurso problemático
Um ponto recorrente em boas redações é a crítica à ideia de que todos têm as mesmas oportunidades. Em sociedades marcadas por desigualdade histórica, o discurso meritocrático ignora:
- Ponto de partida desigual;
- Racismo estrutural;
- Diferenças regionais;
- Exclusão educacional.
Esse gancho funciona muito bem com pensadores críticos.
Repertório para desigualdade social com Karl Marx
Karl Marx é um dos autores mais usados quando o assunto é desigualdade social. E não é por acaso.
Para Marx, a desigualdade nasce da forma como a sociedade organiza a produção de riqueza. No capitalismo, quem detém os meios de produção concentra renda e poder, enquanto a maioria vende sua força de trabalho.
Ideias centrais que você pode usar:
- A desigualdade é estrutural, não acidental;
- A exploração do trabalho gera concentração de riqueza;
- As classes sociais têm interesses opostos.
Aplicação prática na redação:
Você pode relacionar Marx à concentração de renda no Brasil e à dificuldade de mobilidade social, mostrando que o problema não se resolve apenas com esforço individual.
Repertório para desigualdade social com John Locke
John Locke tem uma abordagem diferente, mas igualmente útil.
Locke defendia o direito à propriedade privada, mas afirmava que o Estado existe para garantir direitos naturais, como vida, liberdade e propriedade. Quando esses direitos não são assegurados a todos, há falha social.
Pontos-chave para usar:
- O Estado deve garantir direitos básicos;
- A desigualdade se agrava quando o poder público falha;
- Leis devem existir para o bem comum, não de poucos.
Na redação, Locke funciona bem para criticar:
- Ausência de políticas públicas;
- Ineficiência do Estado no combate à pobreza;
- Desigualdade no acesso a direitos fundamentais.
Repertório para desigualdade social com Paulo Freire
Paulo Freire é repertório de ouro, especialmente em temas sociais.
Para Freire, a desigualdade social se mantém quando a educação não promove consciência crítica. Ele criticava a chamada educação bancária, que apenas deposita conteúdos e não forma cidadãos conscientes da própria realidade.
Ideias centrais:
- Educação como ferramenta de transformação social;
- Consciência crítica rompe ciclos de opressão;
- Desigualdade se perpetua pela exclusão educacional.
Uso estratégico:
Relacionar desigualdade social à precariedade da educação pública e à dificuldade de ascensão social de populações marginalizadas.
Esse repertório dialoga muito bem com propostas de intervenção.
Repertório para desigualdade social com Milton Santos
Milton Santos traz uma leitura moderna e extremamente atual.
Ele analisava a desigualdade a partir do espaço geográfico e da globalização. Para Santos, o mundo globalizado beneficia poucos e exclui muitos, criando o que ele chamava de globalização perversa.
Pontos fortes do repertório:
- Desigualdade entre centros e periferias;
- Exclusão social ligada ao território;
- Crescimento econômico sem distribuição justa.
Na prática, você pode usar Milton Santos para falar de:
- Desigualdade urbana;
- Favelização;
- Diferenças regionais no Brasil;
- Acesso desigual à cidade.
Esse repertório eleva o nível da redação.
Como encaixar repertório para desigualdade social sem parecer forçado
Aqui está o pulo do gato. Repertório bom é aquele que dialoga com o argumento, não o que aparece jogado no texto.
Algumas dicas diretas:
- Use o autor para explicar a causa, não como enfeite;
- Relacione a ideia ao Brasil atual;
- Evite citações literais longas;
- Prefira paráfrases claras.
Exemplo prático:
Em vez de apenas citar Marx, conecte a teoria à concentração de renda no país. Isso mostra domínio real.

Repertório atual para desigualdade social no Brasil
Além dos pensadores, você pode reforçar o texto com exemplos contemporâneos:
- Desigualdade no acesso à educação entre escolas públicas e privadas;
- Diferença de renda entre regiões do país;
- Falta de saneamento básico em áreas periféricas;
- Impacto da pobreza no acesso à saúde.
Esses exemplos funcionam muito bem combinados com autores clássicos.
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Idealizadora do Escritora de Sucesso, formada em Letras – Português/ Inglês, busca expandir o conhecimento de todos com informações relevantes sobre empreendedorismo digital, ideias de negócios, dicas de português, inglês e redação.





