Um PEI útil conecta objetivos, apoios e evidências de aprendizagem. Veja um exemplo preenchido e comentado para adaptar à realidade escolar.
Um Plano Educacional Individualizado (PEI) preenchido precisa mostrar o que o estudante já consegue realizar, quais barreiras encontra, o que será ensinado, quais apoios serão oferecidos e como a equipe acompanhará a aprendizagem. A relação entre esses campos transforma o documento em orientação para o trabalho diário.
Para quem procura um plano educacional individualizado com exemplo preenchido, o modelo abaixo apresenta uma situação inteiramente fictícia, com objetivos observáveis, responsabilidades e revisão. A proposta serve como referência de organização: cada escola deve adequá-la ao estudo de caso, ao currículo e às orientações da sua rede.
O que o PEI organiza e quem participa da elaboração
O PEI registra decisões pedagógicas para favorecer o acesso ao currículo, a participação e a aprendizagem do estudante. Segundo a orientação do Inep sobre os registros da Educação Especial, sua elaboração cabe ao professor da classe comum, com suporte do professor do AEE e da equipe escolar, a partir do estudo de caso.
O estudante e a família contribuem com informações sobre interesses, comunicação, experiências e apoios. Para transformar essas contribuições em planejamento, a equipe precisa relacioná-las às observações feitas nas atividades escolares.
O Decreto nº 12.686/2025, alterado pelo Decreto nº 12.773/2025, estabelece que o estudo de caso considera demandas, barreiras, potencialidades e recursos de acessibilidade. Seus resultados fundamentam o PAEE e o PEI. A oferta do AEE não depende da apresentação de laudo médico.
Ao preencher, prefira descrições verificáveis. “Compara duas coleções de até dez objetos quando pode manipulá-los” oferece um ponto de partida mais útil do que “apresenta dificuldade em Matemática”.
Qual é a diferença entre PEI e plano de AEE?
Os documentos se articulam, mas cada um explicita decisões próprias. A Portaria MEC nº 421/2026 distingue o conteúdo do PAEE, no artigo 10, e do PEI, no artigo 11.
| Documento | Finalidade | Exemplo de registro |
|---|---|---|
| Plano de Atendimento Educacional Especializado — PAEE | Registra o estudo de caso e define recursos, necessidades de tecnologia assistiva, apoios e articulações. | Avaliar e organizar uma sequência visual para ampliar o acesso às orientações escolares. |
| Plano Educacional Individualizado — PEI | Organiza a acessibilização curricular, a articulação com o AEE, o acompanhamento e as devolutivas à família. | Definir como a sequência visual será usada nas aulas, em quais atividades e com quais indicadores de progresso. |
A regulamentação permite que a rede utilize um documento único, desde que contemple os critérios mínimos dos dois planos. Portanto, confira o formulário e o procedimento adotados pela escola antes de criar arquivos separados.
Há ainda uma diferença em relação ao relatório de atendimento: o plano estabelece as ações; o relatório registra o percurso observado, os apoios utilizados e os resultados que orientarão novas decisões.
PEI preenchido: exemplo fictício com objetivos e apoios
Todos os nomes, observações e resultados apresentados a seguir são fictícios. Este é um exemplo autoral de organização pedagógica, não um formulário oficial nem uma proposta aplicável automaticamente a estudantes com determinado diagnóstico.
1. Identificação, período e responsáveis
- Estudante: Rafael, nome fictício, 8 anos.
- Escolaridade: 2º ano do Ensino Fundamental, turma B.
- Contexto: estudante público da Educação Especial, acompanhado pelo AEE, com estudo de caso registrado na escola.
- Período deste recorte: oito semanas letivas.
- Responsáveis: professora regente, professora do AEE e coordenação pedagógica, com participação do estudante e de sua responsável familiar.
- Revisões previstas: encontro intermediário na quarta semana e avaliação deste ciclo na oitava semana.
Função do campo: situar o planejamento e identificar quem executará e acompanhará as ações. No documento real, registre as datas e os nomes dos profissionais, conforme os procedimentos institucionais.
2. Potencialidades, interesses e ponto de partida
Rafael participa de conversas sobre animais, escolhe livros ilustrados e explica oralmente acontecimentos de histórias ouvidas. Reconhece palavras familiares e organiza coleções de até dez objetos. Em atividades coletivas, envolve-se melhor quando sabe qual será sua tarefa.
Na observação inicial fictícia, localizou uma informação explícita em duas de cinco perguntas sobre textos curtos lidos pela professora. Resolveu uma de quatro situações de juntar quantidades até dez com apoio de objetos e orientação verbal em cada etapa. Em tarefas com dois passos, iniciou a primeira ação sem lembrete adicional em uma de cinco oportunidades.
Função do campo: registrar a linha de base para comparar o estudante consigo mesmo ao longo do período. Informe as condições da observação: tipo de atividade, recurso disponível e ajuda oferecida.
3. Barreiras identificadas e apoios planejados
| Barreira observada no contexto | Apoio planejado | Responsabilidade |
|---|---|---|
| Orientações com várias ações dadas oralmente de uma só vez. | Apresentar uma etapa por vez e disponibilizar cartão visual com os dois passos da tarefa. | Regente aplica; AEE colabora na elaboração e no uso dos cartões. |
| Folhas com muitas questões próximas, que dificultam localizar a atividade. | Organizar uma questão por bloco, com espaçamento e indicação clara do local de resposta. | Regente prepara; coordenação garante condições para disponibilizar o material. |
| Respostas exclusivamente escritas em tarefas cujo objetivo é verificar compreensão. | Permitir resposta oral, apontamento ou organização de imagens, conforme o objetivo avaliado. | Regente define e registra a modalidade utilizada. |
Função do campo: relacionar um obstáculo concreto a uma mudança na proposta ou no ambiente. A descrição deve permitir verificar se o apoio foi efetivamente oferecido e se favoreceu a participação.
4. Objetivos curriculares e metas observáveis
O planejamento da turma contempla compreensão de textos, resolução de problemas de adição e participação em atividades compartilhadas. Neste recorte, a equipe selecionou as prioridades abaixo, que deverão ser relacionadas às habilidades previstas no currículo da rede.
| Área e objetivo | Meta para oito semanas | Estratégias e evidências |
|---|---|---|
| Língua Portuguesa: localizar informações explícitas em textos curtos. | Após ouvir a leitura, responder adequadamente a quatro de cinco perguntas em três atividades diferentes, com apoio de imagens e sem indicação da resposta pelo adulto. | Leitura compartilhada dos textos da turma, perguntas apresentadas separadamente e respostas orais ou por apontamento. Registrar respostas e mediações. |
| Matemática: resolver situações de juntar quantidades até dez. | Resolver três de quatro problemas em três atividades diferentes, usando objetos e cartão de etapas, com no máximo um lembrete verbal por problema. | Problemas vinculados às situações trabalhadas pela turma, representação com objetos e registro por desenho ou numeral. Guardar produções e anotar a ajuda oferecida. |
| Participação nas atividades: iniciar uma tarefa com dois passos. | Iniciar a primeira ação em quatro de cinco oportunidades, distribuídas em pelo menos três dias, consultando o cartão visual sem lembrete verbal adicional. | Apresentar a proposta, garantir acesso ao cartão e oferecer tempo de resposta. Registrar início da tarefa e eventuais lembretes. |
Função do campo: explicitar o que será ensinado e quais evidências permitirão avaliar o avanço. Os critérios numéricos são escolhas deste exemplo, não exigências universais. Eles precisam ser viáveis e relevantes para o estudante.
Responder a perguntas após ouvir uma história permite observar compreensão oral. Para avaliar leitura autônoma, será necessário outro objetivo e uma atividade em que Rafael realize a leitura. Essa distinção evita registrar como alcançada uma habilidade diferente daquela efetivamente observada.
5. Articulação com o AEE e acessibilidade da avaliação
No AEE, a proposta fictícia prevê ensinar o uso do cartão de etapas e experimentar diferentes organizações visuais dos materiais. A professora do AEE observa quais formatos Rafael compreende e compartilha os resultados com a regente.
Na classe comum, a regente utiliza os recursos nas atividades curriculares e informa em quais situações funcionaram. As profissionais reservam um encontro quinzenal para ajustar o material e analisar amostras dos registros.
Nas avaliações de compreensão oral, Rafael poderá responder oralmente ou apontar imagens. Nas atividades de Matemática, utilizará os objetos previstos no ensino. Cada registro identificará os recursos e as mediações utilizados, para permitir uma interpretação coerente do desempenho.
Função do campo: mostrar como o trabalho dos profissionais se conecta e como o estudante demonstrará a aprendizagem. A seleção dos recursos deve respeitar a habilidade avaliada.
6. Monitoramento e devolutiva à família
A regente fará dois registros semanais, alternando as áreas priorizadas. Cada anotação conterá data, atividade, resposta, apoio disponível, ajuda oferecida e decisão para a próxima proposta. Uma produção de cada área será selecionada quinzenalmente para análise conjunta.
A devolutiva à família ocorrerá na quarta e na oitava semana, em reunião ou outro meio acessível combinado. A equipe apresentará exemplos de aprendizagem, ouvirá observações e registrará os encaminhamentos. Rafael poderá indicar quais materiais o ajudaram e quais situações ainda precisam de ajustes.
Função do campo: definir como a equipe reunirá evidências e manterá o diálogo. A participação familiar contribui para o planejamento; a implementação dos apoios escolares permanece sob responsabilidade da escola.
7. Exemplo fictício de revisão do plano
Na quarta semana, os registros simulados indicaram quatro respostas adequadas em cinco perguntas de compreensão oral em duas atividades diferentes. Em Matemática, Rafael resolveu dois de quatro problemas com um lembrete verbal por problema. Iniciou a tarefa com cartão visual e sem lembrete adicional em quatro de cinco oportunidades, distribuídas em três dias.
Decisões registradas: manter a meta de compreensão e verificar o desempenho em outro texto; ampliar a demonstração de como representar os problemas matemáticos; acompanhar o início das tarefas em outro componente curricular, mantendo o cartão disponível.
Função do campo: converter as evidências em decisões. O resultado de compreensão ainda não atende ao critério de três atividades. Já o resultado de início da tarefa permite ampliar a observação para outro contexto, sem retirar automaticamente o recurso que favoreceu a autonomia.
Como adaptar o exemplo ao estudante e à turma
Comece pelo estudo de caso e pelo planejamento curricular. Identifique o que o estudante já demonstra, quais condições dificultam sua participação e quais aprendizagens precisam ser priorizadas no período.
- Substitua as observações fictícias por evidências reais. Use atividades, produções e registros de diferentes momentos.
- Escolha objetivos ligados ao currículo. Registre a habilidade correspondente no documento da rede, quando exigido, depois de conferir sua pertinência.
- Defina apoios aplicáveis. Especifique o material, a situação de uso e o responsável por disponibilizá-lo.
- Estabeleça critérios observáveis. Indique ação, condição de realização, nível de ajuda e prazo de acompanhamento.
- Combine a revisão. Reserve tempo para analisar evidências e ajustar o ensino.
Na Educação Infantil, o registro deve dialogar com interações, brincadeiras e experiências próprias da etapa. Nos anos finais do Ensino Fundamental, a organização precisa articular os professores dos componentes curriculares. Em ambos os casos, os campos devem refletir as situações efetivamente vividas pelo estudante.
Ao compartilhar exemplos para formação ou publicação, utilize situações fictícias ou registros devidamente desidentificados. No uso institucional, siga os procedimentos de guarda e acesso da escola.
Quando revisar o PEI e como registrar os ajustes
A Portaria MEC nº 421/2026 determina revisão anual do PAEE e do PEI, compatível com a avaliação contínua. Isso permite organizar verificações intermediárias, como o ciclo de oito semanas sugerido neste exemplo, e ajustar ações durante sua execução.
Quando o resultado esperado não aparecer, confira primeiro se a atividade era acessível, se o apoio foi disponibilizado e se houve oportunidades suficientes de ensino. Depois, registre o que será alterado, quem realizará a mudança e quando a equipe voltará a observar seus efeitos.
Antes de aplicar o modelo, reúna os profissionais envolvidos e confira se cada objetivo tem apoio, responsável e forma de acompanhamento. O PEI precisa orientar decisões que possam ser realizadas e verificadas na rotina escolar.
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.





