A Unicamp selecionou seis contos de Morangos mofados. Entenda os enredos, os narradores e os conflitos que aproximam essas histórias.
Morangos mofados, de Caio Fernando Abreu, reúne histórias sobre solidão, desejo, preconceito e dificuldades de comunicação. Para o Vestibular Unicamp 2027, o recorte obrigatório compreende seis contos específicos, entre eles “Aqueles dois” e “Além do ponto”. Cada narrativa apresenta personagens e situações próprias.
Este resumo de Morangos mofados acompanha a seleção indicada pela universidade, com explicações sobre os acontecimentos e a construção de cada texto. Há revelações dos desfechos.
Quais contos de Morangos mofados estão na lista da Unicamp?
A lista oficial divulgada pela Unicamp para o Vestibular 2027 seleciona:
- “Diálogo”;
- “Além do ponto”;
- “Terça-feira gorda”;
- “Pêra, uva ou maçã?”;
- “O dia em que Júpiter encontrou Saturno”;
- “Aqueles dois”.
O conto “Morangos mofados”, que dá nome ao livro, fica fora desse recorte. Portanto, conhecer apenas a história do conto-título deixa de fora os seis textos indicados.
Os títulos podem apresentar pequenas diferenças de grafia entre edições e listagens. “Pêra”, por exemplo, aparece com acento em edições anteriores ao Acordo Ortográfico; também há variações na formulação do título do encontro entre Júpiter e Saturno.
Morangos mofados: resumo dos seis contos selecionados
Diálogo: uma conversa que retorna ao começo
Resumo: duas personagens, identificadas pelas letras A e B, conversam sobre serem companheiras. Uma afirma o vínculo; a outra reage com perguntas e desconfiança. As tentativas de esclarecer a declaração multiplicam os desencontros, até que as posições se invertem e a conversa retoma seu movimento circular.
Análise: a ausência de uma apresentação convencional de personagens, tempo e espaço concentra a atenção nas falas. A repetição transforma uma declaração de proximidade em fonte de insegurança. O leitor acompanha o esforço de estabelecer um sentido compartilhado para a relação.
Para estudar, observe quem pergunta e quem afirma em cada momento. A mudança dessas posições ajuda a perceber como a estrutura reproduz a dificuldade de comunicação.
Além do ponto: a busca por um encontro que não acontece
Resumo: um homem atravessa a cidade sob a chuva para encontrar outro homem. Leva conhaque e cigarros, enquanto imagina o acolhimento que poderá receber. O percurso mistura desconforto físico, desejo e receio de rejeição. Ao chegar, permanece batendo em uma porta que não se abre.
Análise: a narração em primeira pessoa aproxima o leitor do pensamento ansioso do protagonista. O ritmo insistente da linguagem acompanha seu movimento pelas ruas e, depois, sua permanência diante da porta. O título permite pensar em um limite ultrapassado pela insistência.
Na releitura, acompanhe a passagem entre expectativa e imobilidade: o que muda quando caminhar deixa de ser possível e resta apenas continuar batendo?
Terça-feira gorda: desejo e violência no Carnaval
Resumo: durante uma festa de Carnaval, dois homens se aproximam, dançam e demonstram desejo um pelo outro. O encontro desperta hostilidade. Depois, na praia, um grupo os agride, interrompendo violentamente a experiência de intimidade.
Análise: o narrador participa dos acontecimentos, e a linguagem valoriza sensações corporais. A violência homofóbica rompe o clima de aproximação. O cenário carnavalesco permite discutir a distância entre a liberdade celebrada na festa e a repressão dirigida aos dois homens.
Ao estudar o desfecho, identifique o que o narrador efetivamente relata. Qualquer afirmação adicional sobre o destino das personagens precisa de apoio no texto.
Pêra, uva ou maçã?: as ameixas e a escuta do analista
Resumo: um analista recebe uma paciente que relata ter comprado ameixas, gastando o dinheiro que usaria no transporte. Enquanto caminhava comendo as frutas, tropeçou em um caixão que saía de um velório e deixou as ameixas caírem. Durante a sessão, também recorda a brincadeira de infância mencionada no título. Antes de partir, deixa uma fruta para o analista.
Análise: a história chega ao leitor pela perspectiva do profissional, cujos pensamentos revelam dificuldades para compreender a paciente. Isso exige atenção à diferença entre a experiência relatada por ela e o julgamento que ele faz.
Uma leitura possível aproxima as ameixas do prazer e da vitalidade, enquanto o caixão introduz a morte. A cena reúne essas experiências em um mesmo instante. O contraste entre a lucidez da paciente e os limites da escuta do analista também aparece em pesquisas acadêmicas sobre a obra.
Na revisão, anote separadamente o que a mulher conta e o que o narrador pensa. Esse procedimento ajuda a reconhecer como o ponto de vista orienta a leitura.
O dia em que Júpiter encontrou Saturno: aproximação e desencontro
Resumo: uma mulher e um homem se conhecem em uma festa. A conversa aproxima os dois por referências à astrologia, à música e à poesia, mas inclui falas enigmáticas sobre morte e tempo. Eles se beijam e se separam. A narrativa também retoma a situação pela perspectiva masculina.
Análise: o diálogo constrói uma intimidade breve, atravessada pela possibilidade de perda. As referências culturais participam dessa comunicação, e a mudança de perspectiva convida o leitor a reconsiderar o encontro.
O título pode ser lido como uma imagem da aproximação entre duas trajetórias. Para sustentar essa interpretação, observe como as personagens falam sobre encontrar alguém, partir e modificar seus caminhos. Preserve as ambiguidades quando o conto não oferece uma explicação definitiva.
Aqueles dois: resumo da história de Raul e Saul
Resumo: Raul e Saul se conhecem no trabalho e desenvolvem uma relação de afeto, compartilhando filmes, músicas e momentos fora da repartição. A proximidade desperta comentários e denúncias preconceituosas. Ambos acabam demitidos e deixam o prédio juntos.
Análise: o narrador em terceira pessoa acompanha a aproximação sem fixar um rótulo definitivo para o vínculo. A hostilidade dos colegas transforma esse afeto em alvo de vigilância e punição.
O cinema, a música e as artes visuais ajudam a construir um espaço de reconhecimento entre os protagonistas. Essa função da arte é examinada no estudo A arte como refúgio: intertextualidade, espaço e (imagi)nação em “Aqueles dois”.
O desfecho também desloca o julgamento: a saída conjunta preserva a dignidade dos protagonistas, enquanto a repartição permanece marcada pela intolerância. Ao analisar a relação, considere tanto o que o narrador apresenta quanto os rótulos impostos pelas demais personagens.
Como comparar os contos sem confundir suas histórias
Uma comparação produtiva começa pela forma do encontro. Pergunte como cada narrativa permite que alguém se aproxime de outra pessoa e o que acontece depois dessa aproximação.
Também vale observar quem controla a informação. Em um conto narrado por uma personagem, o leitor acompanha uma experiência situada. Quando há mudança de perspectiva, pode rever uma impressão inicial. Em uma narrativa construída por falas, precisa reconhecer as relações pela própria conversa.
Esse caminho de estudo relaciona enredo e linguagem. Em vez de registrar apenas “o tema é solidão”, procure uma escolha concreta de composição que produza esse sentido: uma repetição, um silêncio, um espaço ou uma alteração no ritmo.
Como organizar a revisão para o vestibular
Depois de ler cada conto integralmente, produza uma ficha curta com quatro campos:
- Situação inicial: quem aparece e como o conflito começa.
- Ponto de vista: quem conta e quais informações oferece.
- Transformação: o que muda até o desfecho.
- Evidência textual: uma passagem ou recurso de linguagem que sustente sua interpretação.
Em uma resposta discursiva, desenvolva a relação entre esses campos. Se afirmar que existe repressão ou dificuldade de comunicação, explique como o texto constrói essa experiência. Uma interpretação ganha força quando o leitor consegue localizar no conto os elementos que a sustentam.
Use os resumos para orientar a revisão e retorne às narrativas completas para conferir o ritmo, as ambiguidades e os detalhes do desfecho.
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.





