Usar o termo aporofobia na redação é uma das estratégias mais eficazes para demonstrar repertório sociocultural produtivo e legitimado. Muitos candidatos sentem dificuldade em nomear o preconceito direcionado especificamente à condição de pobreza, acabando por usar termos genéricos que não impressionam o corretor.
O que é aporofobia e quem criou o termo?
A palavra aporofobia tem origem grega: áporos (pobre, sem recursos) e phobos (medo, rejeição). Ela define o sentimento de ódio, medo ou desprezo pelas pessoas pobres. Diferente do racismo ou da xenofobia, que se baseiam em etnia ou nacionalidade, esta foca exclusivamente na desvantagem econômica.
O conceito foi cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina na década de 1990. Ela percebeu que a sociedade muitas vezes aceita estrangeiros ou pessoas de outras etnias, desde que elas tenham dinheiro para consumir. A rejeição real acontece quando o indivíduo é “inútil” para o sistema de trocas do capitalismo.
Para o Enem, esse é um repertório “coringa” porque a desigualdade social é a raiz de quase todos os problemas brasileiros. Entender que existe um nome específico para essa rejeição eleva o nível da sua argumentação imediatamente.
Por que citar aporofobia na redação valoriza seu texto?
A Competência 2 do Enem exige que você utilize conhecimentos de outras áreas para desenvolver o tema. Quando você usa aporofobia na redação, está acionando a Filosofia e a Sociologia de forma direta.
Além disso, o termo ajuda a evitar o senso comum. Em vez de dizer apenas que “as pessoas não gostam de pobres”, você afirma que “existe um fenômeno psicossocial estruturante chamado aporofobia, que invisibiliza os indivíduos em situação de vulnerabilidade”.
Essa precisão vocabular mostra para o corretor que você possui domínio sobre as ciências humanas e sabe aplicá-las para analisar a realidade brasileira.
Argumentos sobre aporofobia para o seu desenvolvimento
Para construir um desenvolvimento forte, você precisa conectar o conceito ao problema central do tema. Abaixo, listamos os principais caminhos argumentativos:
1# A invisibilidade social como projeto
Você pode argumentar que não se trata de um acidente, mas um mecanismo de exclusão. A sociedade prefere “não ver” a pobreza para não ter que lidar com a culpa ou com a responsabilidade de mudá-la. Isso se manifesta na falta de políticas públicas e no descaso com as periferias.
2# A coisificação do ser humano
Neste argumento, você explica que, em uma lógica puramente capitalista, o valor de uma pessoa está atrelado à sua capacidade de consumo. Quem não consome é tratado como “coisa” ou “estorvo”. Você pode citar aqui a relação com a “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman para fortalecer a ideia de que seres humanos são descartados quando não são úteis ao mercado.
3# A aporofobia institucional
Aqui, o foco é no Estado. O argumento é que o próprio governo, ao investir apenas em áreas nobres ou ao utilizar a arquitetura hostil para afastar pessoas em situação de rua, está praticando aporofobia institucionalizada.
Citações sobre aporofobia para usar na redação
As citações funcionam como o “selo de qualidade” da sua redação. Selecionamos 6 frases e pensadores que se conectam perfeitamente com a aporofobia e que podem ser adaptados para diversos temas de desigualdade.
Confira esses repertórios para elevar o nível do seu texto:
1# Adela Cortina
“A aporofobia é um atentado contra a dignidade humana e contra o direito à igualdade.”
Como usar: Essa é a citação direta da criadora do termo. Use-a na introdução ou no início do desenvolvimento para definir o problema.
2# Zygmunt Bauman
“Na sociedade de consumo, os pobres não são apenas indesejados, eles são inúteis.”
Como usar: Ideal para argumentar que a rejeição ao pobre (aporofobia) acontece porque ele não consegue participar do ciclo de compras.
3# Hannah Arendt
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos.”
Como usar: Use para criticar como a aporofobia retira a humanidade dos indivíduos, fazendo com que eles nem sequer sejam vistos como cidadãos pelo Estado.
4# Milton Santos
“A cidadania não se realiza se não houver a plena consciência do espaço.”
Como usar: Perfeito para temas que envolvem arquitetura hostil e como a cidade expulsa o pobre de locais que deveriam ser de todos.
5# Papa Francisco
“Vivemos em uma cultura do descarte, onde os excluídos não são ‘explorados’, mas resíduos, ‘sobras’.”
Como usar: Uma frase muito forte para mostrar que a aporofobia trata seres humanos como lixo descartável.
6# Boaventura de Sousa Santos
“Temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.”
Como usar: Excelente para discutir como a falta de políticas específicas para os pobres perpetua a exclusão social.
Como aplicar o conceito em diferentes eixos temáticos
A versatilidade do termo na redação permite que você o utilize em diversos contextos:
- Eixo Saúde: A dificuldade de acesso ao saneamento básico ou ao atendimento de qualidade nas periferias pode ser lida como um reflexo da aporofobia, onde a vida do pobre vale menos para a gestão pública.
- Eixo Educação: A evasão escolar em contextos de vulnerabilidade muitas vezes é ignorada pela sociedade, que culpa o indivíduo em vez de entender que o sistema é desenhado para excluir quem não tem recursos.
- Eixo Tecnologia: O “algoritmo da exclusão” ou o fosso digital mostram que a tecnologia, muitas vezes, reforça a aporofobia ao priorizar conteúdos e serviços para quem possui alto poder aquisitivo.
Quer aprimorar seus repertórios para a redação do Enem em todos os principais eixos cobrados? O material completo produzido pelo Escritora de Sucesso, está disponível abaixo:
O uso da aporofobia na Proposta de Intervenção
Para que sua proposta seja completa, ela deve combater a causa do problema. Se o problema é este, a solução deve passar pela humanização e pela educação.
Você pode sugerir que o Ministério da Educação insira o debate sobre ética e desigualdade social de forma transversal no currículo escolar. O objetivo seria desconstruir o preconceito contra a pobreza desde a infância.
Outra via é a criação de campanhas de conscientização pelo Ministério dos Direitos Humanos, visando humanizar as pessoas em situação de rua e combater práticas de design hostil nas cidades. Lembre-se sempre de detalhar o agente, a ação, o meio, o efeito e um detalhamento adicional.
Veja também: Esqueleto de redação para qualquer tema
Perguntas frequentes sobre aporofobia na redação
O que colocar na redação sobre racismo?
Na redação, o racismo deve ser abordado como um problema estrutural, histórico e social. É válido relacioná-lo à exclusão econômica, mostrando como racismo e aporofobia se cruzam na prática, já que grupos racializados são, muitas vezes, os mais afetados pela pobreza. Conceitos como desigualdade de oportunidades, violência simbólica e discriminação institucional ajudam a aprofundar o texto.
Como fazer uma redação do racismo?
Uma boa redação sobre racismo começa contextualizando o problema, apresenta argumentos claros e aponta consequências sociais. O ideal é mostrar que o racismo não se resume a atitudes individuais, mas está presente em estruturas sociais, econômicas e políticas. Relacionar o tema com aporofobia na redação pode enriquecer o texto, mostrando como preconceitos se sobrepõem e ampliam a exclusão.
O que colocar no D1 e no D2 da redação?
No D1, apresente um argumento central, como a origem histórica do racismo ou da aporofobia, explicando como esses preconceitos se formaram e se mantêm. No D2, avance a discussão, mostrando consequências atuais, como desigualdade social, violência urbana, arquitetura hostil ou exclusão de grupos vulneráveis. Essa progressão demonstra domínio do tema e organização lógica do texto.
Idealizadora do Escritora de Sucesso, formada em Letras – Português/ Inglês, busca expandir o conhecimento de todos com informações relevantes sobre empreendedorismo digital, ideias de negócios, dicas de português, inglês e redação.






