Ivanilda Gomes atua em uma cooperativa de Maceió

Ela trabalhou no lixão e teve sua história registrada em livro sobre mulheres que transformam a reciclagem

Ivanilda Gomes atua em uma cooperativa de Maceió e integra uma obra que registra experiências de 25 trabalhadoras brasileiras.

A história de Ivanilda da Conceição Gomes chegou às páginas de um livro. Pernambucana criada em Alagoas, ela enfrentou vulnerabilidade desde a infância, trabalhou no lixão e passou a exercer uma função de liderança na reciclagem.

Sua trajetória integra o segundo capítulo de Mulheres que Reciclam o Futuro. Em reportagem publicada pela Prefeitura de Maceió, em 10 de setembro de 2026, Ivanilda foi apresentada como secretária da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater, a Coopvila, à qual dedicava 13 anos de trabalho.

O encontro entre essa experiência e a escrita oferece uma possibilidade de leitura: conhecer a reciclagem por meio de quem construiu a própria vida trabalhando com ela. A personagem tem nome, vínculos familiares, responsabilidades e uma história que ajuda a aproximar o leitor de uma realidade social.

Do trabalho no lixão à participação na cooperativa

Localizada no bairro de Jacarecica, em Maceió, a Coopvila faz parte do percurso profissional de Ivanilda. Sua atuação também alcança a representação estadual e nacional no Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o MNCR.

Ao comentar a presença no livro, ela relacionou o reconhecimento aos obstáculos enfrentados e à vontade de apoiar outras mulheres. “Agora, luto para que isso seja replicado para diversas mulheres que enfrentam grandes dificuldades”, declarou.

Essa fala permite observar duas dimensões da trajetória: a conquista pessoal e o compromisso coletivo. Na leitura do relato, ambas merecem espaço. A experiência de uma trabalhadora pode ajudar a discutir as condições que outras mulheres encontram para obter renda, participar de decisões e ter seu trabalho reconhecido.

Ivanilda Gomes atua em uma cooperativa de Maceió e integra uma obra que registra experiências de 25 trabalhadoras brasileiras
Foto/Reprodução: Tháchyna Lorena (estagiária) /ASCOM ALURB

O papel da cooperativa também merece atenção nessa interpretação. Ele permite abordar a organização entre trabalhadores e a construção de respostas compartilhadas para dificuldades que atravessam a vida de muitas famílias.

O livro apresenta 25 experiências de mulheres brasileiras

Escrito por Viviane Mansi, Mulheres que Reciclam o Futuro apresenta relatos de 25 catadoras de diferentes estados. O trabalho com materiais recicláveis aparece associado à renda, ao acolhimento e ao pertencimento.

O lançamento ocorreu em 20 de maio de 2026, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília. A agenda do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços registra a participação de representantes de cooperativas, movimentos sociais e integrantes do governo federal.

Entre as mulheres retratadas está Aparecida Ferreira de Maria, de Brasília. Mãe de sete filhos, ela encontrou na catação uma possibilidade de sustento e passou a atuar pela valorização da categoria. Sua presença amplia o conjunto de experiências com o qual o leitor pode entrar em contato.

A proposta do projeto, apresentada na programação da Câmara, é documentar trajetórias de mulheres que trabalham na base da reciclagem e dar visibilidade à participação feminina nesse setor.

Quando uma experiência vivida se torna memória escrita

Registrar uma trajetória em livro permite que ela seja conhecida fora do círculo de pessoas que acompanharam seus acontecimentos. Um leitor de outra cidade, por exemplo, pode encontrar naquele relato perguntas sobre trabalho, desigualdade e participação social que também fazem parte de sua comunidade.

A memória escrita cria uma oportunidade de escuta. Para aproveitá-la, vale observar como a pessoa retratada explica suas escolhas, quais relações considera importantes e que acontecimentos identifica como decisivos.

Esse cuidado ajuda a ler histórias de superação com profundidade. Além do resultado alcançado, interessam as condições de partida, os apoios recebidos e as dificuldades presentes ao longo do caminho.

Ao levar experiências de trabalhadoras para a leitura, abre-se espaço para discutir quem costuma aparecer nos livros e quais memórias merecem ser preservadas.

Que mulher da sua comunidade você gostaria de ver com a história registrada em um livro?

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