Professora organiza um plano de aula com caderno e materiais pedagógicos

Objetivos de aprendizagem: exemplos para escrever um plano de aula mais claro

“Fazer uma atividade” explica o que a turma fará, mas pode deixar a aprendizagem indefinida. Veja como escrever objetivos claros para o plano de aula.

Os objetivos de aprendizagem descrevem o que se espera que o estudante aprenda durante uma aula ou sequência de aulas. Para escrevê-los, indique uma ação do aluno, o conteúdo envolvido e, quando necessário, as condições em que essa aprendizagem será demonstrada.

Um exemplo: “Comparar duas notícias sobre o mesmo acontecimento, identificando diferenças nas informações apresentadas”. A frase delimita uma aprendizagem que pode orientar tanto a escolha da atividade quanto a avaliação.

A seguir, veja exemplos de objetivos de aprendizagem e entenda como diferenciá-los das tarefas propostas à turma, sem transformar o plano de aula em uma lista de ações desconectadas.

Qual é a diferença entre objetivo, atividade e avaliação?

Esses três elementos respondem a perguntas diferentes. O objetivo indica a aprendizagem esperada; a atividade organiza uma oportunidade de desenvolvê-la; a avaliação permite observar avanços e dificuldades.

ElementoPergunta que orienta a escritaExemplo em uma aula de Matemática
Objetivo de aprendizagemO que o estudante deverá aprender?Comparar frações de mesmo denominador, justificando qual representa a maior quantidade.
AtividadeO que a turma fará para desenvolver essa aprendizagem?Representar frações em tiras de papel do mesmo tamanho e comparar as partes marcadas.
AvaliaçãoQue evidência permitirá acompanhar a aprendizagem?Observar se o estudante compara corretamente um novo par de frações e explica sua resposta.

“Recortar tiras de papel” descreve uma tarefa. O objetivo aparece quando o professor explicita o conhecimento que pretende desenvolver com ela.

Uma mesma atividade também pode servir à avaliação. Durante a comparação das tiras, por exemplo, o professor pode registrar as explicações dos estudantes e identificar quem ainda confunde o tamanho das partes com a quantidade representada.

Como escrever objetivos de um plano de aula

Uma estrutura prática para começar é: ação do estudante + conteúdo + condição ou recorte necessário. Ela funciona como apoio à escrita, sem substituir o modelo adotado pela escola ou pela rede.

Ao final da aula, espera-se que os estudantes sejam capazes de identificar a opinião defendida em um texto curto, indicando uma passagem que sustente a resposta.

Nesse exemplo, “identificar” é a ação; “a opinião defendida” é o foco; e a indicação de uma passagem do texto ajuda a tornar visível o raciocínio do aluno.

  1. Consulte o currículo e o planejamento da turma. Localize a aprendizagem à qual a aula dará continuidade.
  2. Defina um recorte possível. Considere o tempo disponível, os conhecimentos prévios e os apoios necessários.
  3. Escreva o que o aluno deverá conseguir fazer. Diferencie essa aprendizagem das ações do professor, como apresentar slides ou explicar um conceito.
  4. Escolha uma atividade coerente. A tarefa precisa oferecer oportunidade de praticar o que está no objetivo.
  5. Antecipe a evidência de aprendizagem. Decida o que observar nas falas, produções, resoluções ou interações.

No recurso de planejamento da Univesp, a consulta ao currículo e à BNCC aparece como orientação para preencher conteúdos e objetivos. Essa consulta ajuda a situar a aula em um percurso de aprendizagem.

Objetivos de aprendizagem: exemplos com atividade e avaliação

Os exemplos abaixo são sugestões autorais. Ajuste a complexidade, os materiais e as formas de participação à etapa escolar e às características da turma.

Língua Portuguesa: localizar informações em um texto

Objetivo: localizar informações explícitas em uma notícia curta, indicando os trechos que respondem às perguntas sobre o acontecimento.

Atividade: ler uma notícia com a turma e propor, em duplas, perguntas sobre o que aconteceu, onde e com quem.

Avaliação: apresentar outra pergunta sobre o texto e verificar se cada estudante encontra a informação correspondente e aponta sua localização.

Por que funciona: responder corretamente e mostrar o trecho permite observar a relação entre a resposta e a leitura. Se o objetivo fosse inferir uma informação, seria necessário propor uma questão cuja resposta dependesse da interpretação de pistas.

Matemática: resolver situações de multiplicação

Objetivo: resolver problemas de grupos com a mesma quantidade de elementos, relacionando a situação a uma multiplicação.

Atividade: organizar tampinhas em grupos iguais e representar as quantidades por desenhos, adições e multiplicações.

Avaliação: propor um novo problema e observar se o estudante identifica o número de grupos, a quantidade em cada grupo e a operação correspondente.

Por que funciona: a avaliação considera a interpretação do problema, além do resultado numérico. Um erro de cálculo pode exigir uma intervenção diferente de uma dificuldade para compreender a situação.

Ciências: reconhecer critérios de classificação

Objetivo: classificar objetos de uso cotidiano pelo material de que são feitos, justificando os agrupamentos.

Atividade: explorar uma coleção segura de objetos ou imagens e organizar grupos de materiais, como papel, metal e plástico.

Avaliação: apresentar um item ainda não discutido e pedir que o estudante explique em qual grupo o colocaria. Para objetos feitos de mais de um material, acolher classificações que considerem seus diferentes componentes.

Por que funciona: a justificativa mostra o critério utilizado. A organização visual dos objetos, sozinha, pode esconder uma escolha feita por cor ou tamanho.

História: comparar registros de diferentes épocas

Objetivo: identificar mudanças e permanências em um espaço da comunidade a partir de fotografias de épocas diferentes.

Atividade: analisar imagens datadas de uma praça, rua ou escola e registrar elementos que mudaram e que permaneceram.

Avaliação: solicitar uma comparação apoiada em detalhes visíveis nas fotografias, distinguindo o que pode ser observado do que precisaria de outras fontes.

Por que funciona: o aluno precisa sustentar sua comparação nos registros disponíveis, evitando atribuir às imagens informações que elas não mostram.

Educação Infantil: explorar propriedades dos objetos

Objetivo da proposta: explorar semelhanças e diferenças de textura entre materiais seguros, comunicando percepções por gestos, falas ou outras formas de expressão.

Atividade: organizar uma exploração de tecidos e superfícies adequados à faixa etária, respeitando as preferências e os desconfortos sensoriais das crianças.

Acompanhamento: registrar como cada criança explora, compara e comunica suas descobertas, considerando os apoios oferecidos e as mudanças observadas ao longo das experiências.

Por que funciona: a proposta permite acompanhar processos em situações de exploração. A observação pode ocorrer em diferentes momentos, respeitando os ritmos das crianças.

Quais verbos usar nos objetivos de aprendizagem?

Verbos como identificar, comparar, explicar, resolver, produzir e justificar podem ajudar a explicitar o que será observado. Porém, o verbo precisa vir acompanhado de um conteúdo bem delimitado.

“Identificar conceitos” continua pouco específico. “Identificar a ideia principal de um parágrafo” informa melhor o que se pretende trabalhar.

Formulação amplaPossível reformulação
Compreender os gráficos.Comparar quantidades em um gráfico de barras, identificando a maior e a menor frequência.
Conhecer a pontuação.Revisar o uso do ponto final em um pequeno texto, identificando o encerramento das frases.
Aprender sobre o meio ambiente.Explicar como uma situação de desperdício de água pode ser evitada no cotidiano escolar.
Desenvolver o pensamento crítico.Comparar duas propostas para um problema da escola e justificar uma escolha com argumentos.

“Compreender” e “conhecer” podem expressar intenções amplas. Ao detalhar o plano, explicite como essa compreensão poderá aparecer. Não é necessário transformar toda aprendizagem em uma porcentagem de acertos: explicações, estratégias e produções também oferecem evidências.

Como relacionar os objetivos à BNCC?

A BNCC orienta a construção dos currículos, mas o planejamento também precisa considerar o currículo da rede e a proposta pedagógica da escola.

Na Educação Infantil, a Base apresenta objetivos de aprendizagem e desenvolvimento organizados por campos de experiências e grupos etários. No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, apresenta competências e habilidades conforme a organização de cada etapa.

Ao planejar, leia o enunciado completo da referência curricular escolhida. Depois, identifique qual parte será trabalhada na aula e como ela se conecta às aprendizagens anteriores e posteriores.

Copiar um código não demonstra, por si só, essa relação. O conteúdo, a atividade e a avaliação precisam corresponder ao que a referência curricular propõe. Se o formulário solicitar a transcrição da habilidade, preserve o texto oficial e apresente o recorte da aula no campo adequado.

Objetivo geral e objetivos específicos: como diferenciar?

Quando o modelo de planejamento pede essa divisão, o objetivo geral apresenta a intenção mais abrangente. Os específicos detalham aprendizagens que contribuem para alcançá-la.

Em uma sequência sobre textos de opinião, uma possibilidade seria:

  • Objetivo geral: desenvolver a produção de textos de opinião sobre questões do cotidiano escolar.
  • Objetivo específico: formular um posicionamento claro sobre a questão discutida.
  • Objetivo específico: selecionar razões pertinentes para sustentar esse posicionamento.
  • Objetivo específico: revisar a relação entre a opinião apresentada e os argumentos utilizados.

Essas aprendizagens podem exigir várias aulas. Para um encontro, selecione o recorte que poderá ser ensinado e acompanhado com atenção. A quantidade de objetivos deve caber no trabalho previsto.

Para visualizar os objetivos junto dos demais elementos do planejamento, consulte o modelo de plano de aula completo.

Como revisar os objetivos antes de finalizar o plano

Leia cada objetivo ao lado da atividade e pergunte: a turma terá oportunidade de praticar essa aprendizagem? Depois, confira se a avaliação permite observá-la.

Se a intenção é argumentar, reserve espaço para a construção de argumentos. Se é comparar, ofereça elementos para comparação. Se é produzir um texto, preveja tempo para escrever e intervenções que ajudem nessa produção.

O Eberly Center, da Carnegie Mellon University, destaca justamente a necessidade de alinhar objetivos, estratégias de ensino e avaliação. Essa coerência ajuda a evitar uma aula que trabalha uma aprendizagem e cobra outra.

Também confira as condições de participação. Se o objetivo é explicar um fenômeno, uma resposta oral ou com apoio de comunicação pode demonstrar essa aprendizagem. Se o foco é a escrita, a produção escrita precisa continuar contemplada, com os apoios adequados.

Para seleções docentes, consulte o formulário e os critérios do edital correspondente. O guia de como preencher o plano de aula para o PSS Paraná aprofunda a organização desse documento no contexto da seleção abordada.

Antes de concluir, complete esta frase: “Vou observar que o estudante avançou quando ele conseguir…”. Se a resposta apenas repetir o nome da atividade, retome o objetivo e explicite qual aprendizagem essa tarefa deverá desenvolver.

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