O Dia Nacional dos Surdos, celebrado em 26 de setembro, pode ser trabalhado com histórias, vídeos em Libras, produção de textos e atividades sobre comunicação. Veja propostas para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental.
O Dia Nacional dos Surdos é celebrado em 26 de setembro. Na escola, a data oferece uma oportunidade para conhecer a Língua Brasileira de Sinais (Libras), valorizar a cultura surda e observar como a turma se comunica e participa das atividades.
Para que a proposta tenha sentido, vale ir além de ensinar alguns sinais isolados. Uma história contada em Libras, por exemplo, permite que os alunos vejam a língua em uso. Uma atividade sobre avisos da escola pode mostrar se informações importantes chegam a todos. A seguir, você encontra atividades para o Dia Nacional dos Surdos, com sugestões de adaptação para diferentes idades.
O que explicar aos alunos sobre o Dia Nacional dos Surdos?
A Lei nº 11.796/2008 instituiu 26 de setembro como o Dia Nacional dos Surdos. A data está ligada à história do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), referência na educação de pessoas surdas no Brasil.
Uma explicação simples para começar a aula é: “Hoje vamos conhecer formas de comunicação usadas por pessoas surdas e aprender por que é importante que todos tenham acesso às informações e às atividades da escola.”
Explique também que Libras é uma língua, com organização própria. Ela foi reconhecida pela Lei nº 10.436/2002. A experiência das pessoas surdas não é igual para todas: por isso, conhecer a comunicação utilizada pelos estudantes da própria escola é parte do planejamento.
1. Roda de conversa com imagens e perguntas
Indicação: Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental.
Mostre fotografias ou ilustrações de situações comuns da escola: uma aula, um aviso no mural, uma apresentação e uma conversa entre colegas. Convide a turma a observar como as pessoas recebem informações em cada situação.
Você pode perguntar: “Como sabemos que a aula vai começar?”, “De que formas uma pessoa pode fazer uma pergunta?” e “Se um aviso for dado apenas pelo alto-falante, todos terão acesso a ele?”. Anote as respostas das crianças com palavras ou desenhos.
Ao final, escolha com a turma uma situação que possa ser melhorada. Um aviso apresentado oralmente, por exemplo, também pode ser escrito e exibido em local visível.
2. Contação de história em Libras
Indicação: Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Selecione um vídeo de história em Libras adequado à idade da turma. O INES reúne materiais para crianças, incluindo produções em Libras que podem apoiar o planejamento.
Antes da exibição, apresente os personagens e pergunte o que os alunos imaginam que acontecerá. Depois, conversem sobre a narrativa: quem participou, qual foi o problema e como a história terminou? As crianças menores podem responder por meio de desenhos; as maiores podem escrever um pequeno reconto.
Organize a exibição de modo que todos consigam ver bem a tela. Se houver estudantes surdos, confirme previamente com a equipe pedagógica quais recursos e formas de apresentação são adequados à turma.
3. Pesquisa de sinais usados no cotidiano escolar
Indicação: anos iniciais e finais do Ensino Fundamental.
Em grupos, peça aos alunos que escolham palavras presentes na rotina escolar, como “escola”, “livro”, “professor”, “amigo” e “aprender”. A pesquisa dos sinais pode ser feita em materiais de referência, como o Dicionário da Língua Brasileira de Sinais do INES.
Cada grupo pode registrar a palavra em português, indicar onde encontrou o vídeo do sinal e explicar em que situação ela aparece na escola. Se houver um profissional fluente em Libras disponível para acompanhar a atividade, convide-o a orientar a turma.
Importante: não peça que os estudantes inventem sinais a partir de desenhos das mãos. Também não trate a reprodução de poucos sinais como domínio da língua.

4. Mapa da comunicação na escola
Indicação: do 3º ano do Ensino Fundamental em diante.
Convide os alunos a observar como a escola comunica informações importantes: mudança de horário, chamada para uma apresentação, orientações na biblioteca e avisos de emergência. Em seguida, organize as observações em três colunas: informação, como é transmitida hoje e outra forma de torná-la acessível.
O objetivo é chegar a sugestões concretas. Se uma atividade é anunciada apenas oralmente, a turma pode propor um aviso escrito e visual. Se um vídeo usado em aula depende de fala, os alunos podem verificar se há legendas e recursos adequados antes de sua exibição.
5. Produção de cartaz informativo
Indicação: do 2º ano do Ensino Fundamental em diante.
Depois das pesquisas e conversas, cada grupo produz um cartaz que responda a uma pergunta: “O que é Libras?”, “Por que 26 de setembro é uma data importante?” ou “Como podemos melhorar a comunicação na escola?”.
Oriente a turma a escrever frases curtas, conferir as informações e usar letras legíveis. Antes de expor os cartazes, revise os textos com os alunos. O trabalho pode integrar leitura, produção textual e apresentação oral ou em Libras, conforme a organização e os recursos da escola.
6. Leitura e interpretação de um pequeno texto
Indicação: do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental. O texto abaixo pode ser copiado para o quadro ou impresso.
Uma informação para todos
A escola organizou uma apresentação para as famílias. Primeiro, a professora avisou a data durante a aula. Depois, a turma percebeu que seria melhor registrar o convite por escrito e colocá-lo em um lugar fácil de ver. Assim, mais pessoas poderiam consultar as informações sobre o evento. Os alunos aprenderam que comunicar bem também é pensar em quem vai receber a mensagem.
Questões:
- Qual evento a escola organizou?
- De que maneira a data foi informada primeiro?
- O que a turma fez para melhorar a comunicação?
- Por que um aviso escrito pode ser útil nessa situação?
- Escolha outro aviso da escola e proponha duas formas de comunicá-lo.
Orientação para o professor: nas quatro primeiras questões, verifique a compreensão do texto. Na quinta, observe se o aluno consegue aplicar a ideia a uma situação real. Quando necessário, apresente o texto e as perguntas também em formato acessível aos estudantes da turma.
7. Conversa com uma pessoa surda convidada
Indicação: anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, com preparação adequada à idade.
Se a escola puder organizar o encontro, convide uma pessoa surda para compartilhar sua experiência, sua atuação profissional ou um trabalho cultural. Combine previamente o tema, o tempo disponível, a forma de comunicação e os recursos de acessibilidade necessários. A participação deve ser planejada com a pessoa convidada.
Antes do encontro, a turma pode preparar perguntas respeitosas. Depois, os alunos registram algo novo que aprenderam e uma ação que a escola pode colocar em prática. A pessoa convidada não precisa representar a experiência de todas as pessoas surdas.
Como adaptar as atividades para cada faixa etária?
- Educação Infantil: priorize histórias, imagens, brincadeiras compartilhadas e registros por desenho. Faça perguntas curtas e dê tempo para as crianças se expressarem.
- 1º ao 3º ano: combine observação, leitura de palavras, produção de frases e situações concretas da rotina escolar.
- 4º e 5º ano: amplie a pesquisa, a leitura, a produção de cartazes e a análise dos avisos da escola.
- Anos finais: proponha investigação de fontes, discussão sobre direitos linguísticos e apresentação de sugestões de acessibilidade à gestão escolar.
Em qualquer idade, planeje a participação dos estudantes surdos desde o início da atividade. Verifique a língua e os recursos usados por cada aluno e converse com os profissionais responsáveis por seu acompanhamento. Uma proposta sobre acessibilidade precisa ser acessível também durante sua realização.
O que evitar ao trabalhar a data?
Evite brincadeiras que peçam aos alunos para tapar os ouvidos e “sentir como é ser surdo”. Essa experiência não ensina Libras nem representa a vida das pessoas surdas. Também não use gestos inventados como se fossem sinais da língua.
O Dia Nacional dos Surdos ganha mais sentido quando a turma conhece produções em Libras, aprende com fontes confiáveis e identifica mudanças possíveis na própria escola. Depois da atividade, vale retomar as sugestões dos alunos e acompanhar quais delas podem ser realizadas.
Fontes para o planejamento: Lei nº 11.796/2008, Lei nº 10.436/2002 e materiais educativos do INES.
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.





