últimos temas de redação do enem

16 últimos temas de redação do Enem para relembrar e treinar produção textual

De envelhecimento a trabalho e dignidade: relembre 16 temas do Enem e pratique a leitura do recorte antes de escrever.

Os últimos temas de redação do Enem abordaram envelhecimento, herança africana, trabalho de cuidado, povos tradicionais e acesso à cidadania. Relembrar essas propostas ajuda a praticar uma habilidade essencial: compreender exatamente o que o enunciado pede antes de começar a escrever.

A seleção abaixo conta com 16 temas, de 2025 a 2010, do mais recente ao mais antigo, com um por edição. O recorte considera a primeira aplicação regular de cada ano e a prova impressa de 2020. Não inclui todos os temas de reaplicações, do Enem PPL ou de aplicações em datas específicas.

Quais foram os 16 últimos temas de redação do Enem?

Os cadernos originais podem ser consultados no acervo de provas e gabaritos do Inep, o instituto responsável pelo exame. Para treinar, leia também os textos motivadores.

1. 2025 — Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

O recorte permite discutir como a sociedade compreende o envelhecimento e quais condições oferece para essa etapa da vida. Uma abordagem possível relaciona preconceito etário, autonomia e participação social, sem tratar todas as pessoas idosas como dependentes.

Para treinar: construa uma tese sobre como estereótipos de velhice podem limitar a participação das pessoas idosas. Explique um efeito concreto desse preconceito e proponha uma medida relacionada ao argumento.

2. 2024 — Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

A proposta exige relacionar a herança africana à sua valorização no país. Educação, memória, produção cultural e enfrentamento do racismo são caminhos de discussão. Jamais reduzir a contribuição africana a festas e culinária ou limitar a história da população negra à escravização. Reconheça sua diversidade, seus conhecimentos, suas lutas e seu protagonismo na formação do Brasil.

Para treinar: escolha uma barreira à valorização dessa herança e explique como ela se manifesta na escola, na preservação da memória ou no reconhecimento de conhecimentos e expressões culturais.

3. 2023 — Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

O centro da discussão é o reconhecimento do cuidado e da responsabilidade atribuída às mulheres por sua realização. O texto pode examinar a divisão desigual de tarefas e seus efeitos sobre tempo, renda e participação profissional. Tratar o cuidado como uma obrigação feminina natural reproduz justamente uma ideia que merece análise crítica.

Para treinar: diferencie reconhecimento simbólico e divisão efetiva de responsabilidades. Desenvolva um argumento que mostre por que elogiar as cuidadoras, sem mudar a distribuição do trabalho, é insuficiente.

4. 2022 — Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

A discussão envolve reconhecimento de modos de vida, saberes, identidades e relações com o território. Povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas podem integrar a argumentação, respeitando suas diferenças. O tema não se limita à conservação ambiental. Tenha cuidado linguístico, pois os termos “índio”, “tribo”, entre outros são vocabulários impostos pela colonização, e portanto, capazes de discriminá-los.

Para treinar: explique a ligação entre território e continuidade cultural. Evite apresentar essas populações como se fossem um grupo único, preso ao passado ou sem participação nas decisões sobre a própria vida.

5. 2021 — Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil

O registro civil precisa permanecer no centro do texto. Uma discussão ampla sobre desigualdade pode perder o recorte se não explicar como a ausência desse registro dificulta o reconhecimento da pessoa pelo Estado e o exercício de direitos.

Para treinar: monte uma sequência de causa e consequência: obstáculo ao registro, dificuldade decorrente e medida para enfrentar o problema. Se abordar exclusão pela pobreza, aprofunde o conceito de aporofobia na redação apenas quando ele ajudar a explicar o argumento.

6. 2020 — O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

A proposta da aplicação impressa aborda o estigma, isto é, as marcas negativas e os preconceitos associados às doenças mentais. Uma redação sobre saúde mental que apenas enumere sintomas ou hábitos de bem-estar pode deixar de desenvolver essa dimensão social.

Para treinar: mostre como um estereótipo pode produzir discriminação na escola, no trabalho ou nas relações pessoais. Use linguagem respeitosa, sem associar transtornos mentais automaticamente à violência.

7. 2019 — Democratização do acesso ao cinema no Brasil

O ponto central é a possibilidade de diferentes grupos acessarem o cinema. O preço dos ingressos, a distribuição de salas e as condições de acessibilidade são caminhos para construir argumentos. Resumir a história do cinema não resolve a discussão proposta.

Para treinar: escolha duas barreiras diferentes, como distância e custo, e explique como cada uma limita o acesso. Depois, formule uma intervenção compatível com pelo menos um desses obstáculos.

8. 2018 — Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

O tema conecta três elementos: comportamento do usuário, controle de dados e internet. Falar apenas de dependência de celular ou de notícias falsas deixa essa relação incompleta. A análise precisa mostrar como o uso de informações sobre as pessoas pode influenciar suas escolhas.

Para treinar: explique, com um exemplo hipotético identificado como tal, como recomendações personalizadas podem direcionar o consumo. Diferencie personalização de conteúdo e manipulação, justificando a relação que você defender.

9. 2017 — Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

A proposta trata da formação educacional de pessoas surdas. Inclusão escolar em sentido amplo pode servir de contexto, mas o desenvolvimento precisa chegar às barreiras linguísticas, pedagógicas e de acesso que afetam esse público.

Para treinar: relacione uma barreira de comunicação às condições de aprendizagem. Evite sugerir que a pessoa surda precisa se adaptar sozinha: examine também as responsabilidades das instituições de ensino.

10. 2016 — Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Este é o tema da primeira aplicação regular de 2016. O foco está no enfrentamento da intolerância e na garantia da liberdade religiosa. Uma abordagem possível examina o racismo religioso dirigido a tradições de matriz africana, sem reduzir o problema a uma simples divergência de opiniões.

Para treinar: diferencie discordância de crença e violação de direitos. Proponha uma ação que proteja as pessoas atingidas e enfrente uma causa discutida no desenvolvimento.

11. 2015 — A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

A palavra persistência exige explicar por que a violência continua. O texto pode relacionar desigualdades de gênero, tolerância social à agressão e barreiras à proteção. A responsabilização deve recair sobre os agressores e sobre as falhas de prevenção e atendimento, sem culpabilizar as mulheres.

Para treinar: desenvolva um argumento que vá além de afirmar que a violência existe. Explique um mecanismo de sua continuidade e conecte a intervenção a esse mecanismo.

12. 2014 — Publicidade infantil em questão no Brasil

O recorte é a publicidade dirigida às crianças. Consumo, proteção da infância e responsabilidade de anunciantes e meios de comunicação podem orientar o texto. Uma crítica genérica ao consumismo não substitui a discussão sobre o público infantil.

Para treinar: diferencie orientação familiar e responsabilidade de quem produz a publicidade. Mostre por que a proteção da criança envolve também práticas comerciais e comunicação.

13. 2013 — Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

A proposta pede a análise dos efeitos de uma medida, o que exige mais do que condenar a combinação de álcool e direção. É possível discutir fiscalização, mudança de comportamento e prevenção de acidentes, com apoio nos textos motivadores e em informações verificadas.

Para treinar: organize o texto distinguindo o objetivo da medida, um efeito e uma condição necessária para sua efetividade. Não invente percentuais de redução de acidentes.

14. 2012 — O movimento imigratório para o Brasil no século XXI

O foco é a imigração para o Brasil no período indicado. Deslocamentos internos e a saída de brasileiros para outros países não substituem esse recorte. Acolhimento, inserção social, trabalho e enfrentamento da xenofobia são caminhos possíveis.

Para treinar: relacione uma dificuldade de integração a uma medida de acolhimento. Evite generalizações sobre nacionalidades e afirmações de que imigrantes seriam responsáveis pelos problemas do país.

15. 2011 — Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado

A proposta permite discutir exposição da vida pessoal e circulação de informações nas redes. O ponto decisivo é a fronteira entre o que se compartilha publicamente e o que pertence à esfera privada.

Para treinar: compare uma publicação voluntária com a divulgação de dados de outra pessoa sem consentimento. Use essa diferença para defender um critério de responsabilidade no ambiente digital.

16. 2010 — O trabalho na construção da dignidade humana

A relação entre trabalho e dignidade é o centro da proposta. O desenvolvimento pode examinar condições de trabalho, exploração e reconhecimento social. Ter uma ocupação, por si só, não significa trabalhar em condições dignas.

Para treinar: diferencie acesso ao emprego e qualidade das condições de trabalho. Evite associar desemprego à falta de valor pessoal: a dignidade humana não depende da situação profissional.

O que observar ao comparar as propostas

Na leitura dessa sequência, aparecem discussões sobre reconhecimento, participação social e acesso a direitos. Essa aproximação ajuda a organizar estudos por assuntos, mas não permite descobrir antecipadamente qual será o próximo tema.

Compare, por exemplo, as propostas de 2011 e 2018. Ambas envolvem o ambiente digital, mas a primeira destaca os limites entre público e privado; a segunda exige relacionar controle de dados e manipulação do comportamento. Um texto sobre exposição nas redes não pode ser reaproveitado integralmente para discutir influência sobre escolhas.

Também vale aproximar 2023 e 2015: os dois temas envolvem desigualdades de gênero, porém exigem argumentos diferentes. Na proposta sobre cuidado, o centro é a invisibilidade desse trabalho; na discussão sobre violência, é sua persistência. Conhecer o assunto não dispensa interpretar o recorte.

Exemplo de planejamento com o tema de 2023

Tese possível, criada para este exercício: a invisibilidade do cuidado pode ser enfrentada pelo reconhecimento de seu valor social e pela divisão de responsabilidades entre famílias, Estado e demais instituições.

Um desenvolvimento pode explicar como a ideia de que cuidar seria uma obrigação feminina natural dificulta esse reconhecimento. Outro pode discutir como a oferta insuficiente de serviços de apoio restringe o tempo disponível de quem cuida. Cada argumento precisa ser explicado, sem se limitar a nomear o problema.

Uma intervenção coerente com o segundo argumento seria propor a ampliação de serviços públicos de cuidado, com definição do público atendido, dos órgãos responsáveis e da forma de execução. A medida deve responder ao que foi discutido, sem prometer resolver toda a desigualdade com uma única ação.

Como revisar a redação depois do treino

A Cartilha do Participante do Enem 2026 é a referência para consultar os critérios de avaliação. As cinco competências envolvem escrita formal, compreensão da proposta e repertório, organização da argumentação, coesão e proposta de intervenção.

Na revisão, verifique se o texto desenvolve o tema inteiro. Na proposta de 2020, por exemplo, mencionar doenças mentais não basta: é preciso discutir o estigma associado a elas. Na de 2019, escrever sobre filmes não substitui a análise do acesso ao cinema.

Depois, marque um trecho que ficou vago e reescreva-o. Troque afirmações como “falta conscientização” por uma explicação: qual informação falta, a quem ela precisa chegar e como essa ausência se relaciona ao problema? Esse exercício ajuda a transformar ideias gerais em argumentos compreensíveis.

Escolha um dos 16 temas e comece pelo planejamento. Ao terminar a redação, retome o enunciado e confira se a tese, os argumentos e a intervenção respondem à mesma proposta.

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