Os temas de redação TJSP podem ser trabalhados a partir de questões sociais, comportamentais e tecnológicas que exigem reflexão, posicionamento e argumentos bem desenvolvidos. Para treinar, vale estudar assuntos como inclusão digital, inteligência artificial, acesso à Justiça, envelhecimento, educação e responsabilidade nas redes sociais.
A seguir, você encontra 16 propostas autorais de treino, com explicações sobre cada discussão, possibilidades de argumentação e cuidados para manter o texto dentro do assunto. A seleção permite praticar diferentes raciocínios: explicar causas, avaliar consequências, comparar interesses e defender uma posição diante de um conflito.
Como usar esta seleção
As propostas são sugestões de estudo elaboradas pelo Escritora de Sucesso. Não são temas anunciados pela Fundação Vunesp nem representam uma previsão do assunto da prova. Use cada uma para produzir um texto próprio e ampliar sua capacidade de argumentar.
Como preparar a redação para a prova de escrevente do TJSP
O edital de abertura de 2026 prevê a produção de um texto dissertativo-argumentativo em prosa, elaborado a partir da leitura de textos auxiliares. A avaliação considera atendimento ao tema, estrutura e coerência, domínio da língua escrita formal e coesão. As regras estão nos capítulos IX e XI do documento disponível na página oficial do concurso de escrevente na Fundação Vunesp.
Para organizar os treinos, escolha uma proposta, formule uma resposta à questão apresentada e selecione argumentos capazes de sustentá-la. Cada parágrafo de desenvolvimento precisa explicar uma ideia e mostrar como ela se relaciona com o ponto de vista defendido.
Uma organização possível é escrever introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão. Esse arranjo funciona como exercício de planejamento: a quantidade de parágrafos deve acompanhar o raciocínio e as instruções da prova.
Atenção à conclusão
O edital informa que não é necessário elaborar proposta de intervenção. A conclusão pode retomar o posicionamento e apresentar uma consequência do raciocínio desenvolvido. A exigência de uma solução detalhada não deve ser importada automaticamente de outros exames.
16 temas de redação para o TJSP com propostas e argumentos
As sugestões estão distribuídas em quatro eixos. Essa divisão ajuda a variar os treinos e perceber como um mesmo assunto pode exigir abordagens diferentes, conforme a pergunta apresentada.
| Eixo de estudo | Propostas |
|---|---|
| Tecnologia e informação | Inclusão digital, inteligência artificial, desinformação e privacidade. |
| Cidadania e instituições | Acesso à Justiça, linguagem simples, confiança e resolução de conflitos. |
| Convivência e trabalho | Intolerância, envelhecimento, acessibilidade e produtividade. |
| Formação e vida coletiva | Educação, apostas digitais, consumo e exposição nas redes. |
1. Inclusão digital e acesso aos serviços públicos
Proposta de treino: A digitalização dos serviços públicos amplia o acesso de todos os cidadãos?
Resolver uma solicitação pela internet pode evitar deslocamentos, filas e gastos. Entretanto, o atendimento digital também exige condições de uso: equipamento, conexão, compreensão das instruções e familiaridade com plataformas. A discussão permite analisar a diferença entre oferecer um serviço e torná-lo utilizável por públicos diversos. Uma pessoa pode ter celular e, ainda assim, encontrar dificuldade para recuperar uma senha, anexar um documento ou interpretar uma mensagem de erro.
Caminho para argumentar: desenvolva a ideia de que a eficiência depende da autonomia do usuário. Um primeiro argumento pode abordar a economia de tempo; outro, a necessidade de suporte para quem enfrenta barreiras tecnológicas. Como exemplo hipotético, considere um serviço que funciona bem para usuários experientes, mas não oferece orientação a quem acessa a plataforma pela primeira vez.
Cuidado na abordagem: evite tratar todas as pessoas idosas como incapazes de utilizar tecnologia. Identifique as barreiras concretas e explique quem pode ser afetado por elas.
2. Inteligência artificial e responsabilidade humana
Proposta de treino: Até que ponto a busca por eficiência justifica delegar tarefas à inteligência artificial?
O uso da inteligência artificial permite discutir o que pode ser automatizado e o que exige julgamento, contexto e responsabilização. Organizar informações é uma tarefa diferente de decidir como elas serão utilizadas em uma situação que afeta pessoas. O tema ganha profundidade quando a redação examina os critérios de uso: a possibilidade de conferir resultados, a transparência sobre a ferramenta empregada e a existência de alguém responsável por corrigir falhas.
Caminho para argumentar: uma tese possível é defender que a automação deve acompanhar a capacidade de verificar seus resultados. Explique como a ferramenta pode auxiliar tarefas e por que respostas aparentemente convincentes ainda precisam de conferência. O contraste entre rapidez e responsabilidade oferece espaço para desenvolver uma posição equilibrada.
Cuidado na abordagem: afirmações como “a inteligência artificial substituirá todas as profissões” exigem uma certeza que o texto não consegue sustentar. Delimite a análise a tarefas, usos e condições.
3. Desinformação e responsabilidade no compartilhamento
Proposta de treino: Qual é a responsabilidade do cidadão diante das informações que compartilha?
Compartilhar uma mensagem pode parecer um gesto pequeno, mas envolve dar circulação e credibilidade a determinado conteúdo. Uma redação sobre desinformação pode examinar a pressa em reagir, o apelo emocional das publicações e a tendência de aceitar afirmações compatíveis com opiniões pessoais. Há espaço também para discutir a diferença entre erro, informação descontextualizada e conteúdo deliberadamente enganoso, sem presumir que todo compartilhamento incorreto ocorre por má-fé.
Caminho para argumentar: explique por que conferir autoria, data e contexto faz parte de uma participação responsável no ambiente digital. Depois, considere os limites da ação individual: plataformas, produtores de conteúdo e instituições também participam da circulação das mensagens. Essa divisão de responsabilidades evita uma análise simplista.
Cuidado na abordagem: mantenha o foco nos mecanismos de circulação da informação. Uma sequência de ataques a grupos políticos pode substituir a discussão que a proposta solicita.
4. Privacidade e conveniência no ambiente digital
Proposta de treino: A conveniência dos serviços digitais justifica a entrega de informações pessoais?
Cadastros rápidos, recomendações personalizadas e integração entre aplicativos tornam o uso de serviços mais prático. A questão proposta exige avaliar quais informações são necessárias para determinada finalidade e se o usuário compreende o que está fornecendo. O ponto central é a qualidade da escolha: aceitar uma condição depois de receber explicações claras é diferente de concordar sem conseguir entender as consequências ou encontrar uma alternativa viável.
Caminho para argumentar: relacione conveniência, transparência e autonomia. Um exemplo hipotético é o de um aplicativo que solicita dados sem explicar a relação deles com o serviço oferecido. A partir dessa situação, discuta por que a clareza das informações ajuda o usuário a avaliar o custo da facilidade recebida.
Cuidado na abordagem: não apresente toda coleta de dados como abuso. A argumentação precisa distinguir finalidade, necessidade e compreensão do usuário.
5. Acesso à Justiça e conhecimento sobre direitos
Proposta de treino: Por que conhecer direitos é importante para conseguir exercê-los?
O acesso à Justiça pode ser discutido a partir das dificuldades para reconhecer um problema, buscar orientação e compreender os caminhos disponíveis. Uma pessoa pode enfrentar uma situação que exige providências e desconhecer a instituição a procurar ou os documentos necessários para iniciar o atendimento. O tema permite relacionar informação, condições materiais e autonomia, mostrando como uma barreira de compreensão pode se somar a obstáculos de deslocamento, tempo ou acesso à internet.
Caminho para argumentar: sustente que a informação compreensível ajuda a transformar direitos conhecidos apenas de forma abstrata em possibilidades concretas de ação. Desenvolva a importância de orientações acessíveis e de canais de atendimento capazes de esclarecer dúvidas sobre procedimentos.
Cuidado na abordagem: diferencie orientação sobre atendimento e procedimentos de aconselhamento jurídico. Evite atribuir a qualquer servidor a função de indicar estratégias para uma causa.
6. Linguagem simples na comunicação das instituições
Proposta de treino: Como conciliar precisão técnica e clareza na comunicação com o cidadão?
Uma mensagem pode conter informações corretas e continuar difícil de compreender. Termos sem explicação, siglas desconhecidas e frases excessivamente longas podem impedir que o destinatário identifique o que precisa fazer. A discussão sobre linguagem simples envolve adequar a comunicação ao público, preservar as informações necessárias e organizar orientações em uma sequência compreensível. Nesse recorte, clareza significa permitir que o leitor encontre e utilize a informação recebida.
Caminho para argumentar: mostre como uma instrução mal compreendida pode produzir erros, novas solicitações e retrabalho. Em seguida, explique por que a precisão também precisa ser preservada. Um exemplo hipotético é um aviso que informa uma pendência, mas omite como resolvê-la.
Cuidado na abordagem: não confunda linguagem simples com informalidade excessiva. O texto pode ser acessível, respeitoso e tecnicamente adequado ao mesmo tempo.
7. Confiança nas instituições e qualidade do atendimento
Proposta de treino: Qual é a importância da experiência cotidiana do cidadão para a confiança nas instituições?
A relação entre cidadão e instituição se constrói também em situações comuns: obter uma resposta, compreender um procedimento e receber tratamento respeitoso. O tema permite investigar como a experiência de atendimento pode influenciar a percepção sobre o funcionamento de um serviço. Uma orientação contraditória, por exemplo, pode gerar insegurança mesmo quando existe um procedimento definido. Já a explicação clara dos próximos passos ajuda a tornar o atendimento mais compreensível.
Caminho para argumentar: relacione confiança à coerência entre o que a instituição informa e o que efetivamente realiza. Discuta a importância de critérios compreensíveis, tratamento impessoal e explicação dos limites de atuação. O raciocínio pode mostrar que comunicar uma impossibilidade de forma adequada também faz parte de um atendimento responsável.
Cuidado na abordagem: diferencie satisfação pessoal e qualidade institucional. Uma decisão desfavorável ao interesse de alguém não demonstra, por si só, falha do serviço.
8. Diálogo e resolução de conflitos
Proposta de treino: Em quais condições o diálogo pode contribuir para a resolução de conflitos?
Conflitos fazem parte da convivência e podem envolver interesses, expectativas ou interpretações diferentes sobre uma situação. O diálogo permite esclarecer essas diferenças, mas sua utilidade depende das condições em que ocorre. É necessário considerar a disposição dos envolvidos, o respeito e a possibilidade de participação sem intimidação. Uma análise consistente reconhece que conversar pode aproximar posições em certos casos, enquanto outros exigem proteção e atuação institucional específica.
Caminho para argumentar: explique como a escuta ajuda a identificar o problema real e a evitar que um desacordo se amplie por interpretações equivocadas. Depois, examine os limites desse recurso quando existe desigualdade de poder ou ausência de liberdade para negociar.
Cuidado na abordagem: evite defender acordos como resposta universal. Situações de ameaça ou violência não devem ser reduzidas a uma suposta falta de conversa.
9. Intolerância e convivência com opiniões diferentes
Proposta de treino: Como preservar o debate em uma sociedade marcada por divergências?
Conviver com opiniões diferentes exige distinguir a crítica a uma ideia do ataque à pessoa que a apresenta. O tema pode ser desenvolvido a partir da dificuldade de ouvir argumentos contrários, da formação de grupos fechados e da transformação de divergências em conflitos pessoais. A discussão fica mais precisa quando a redação examina comportamentos concretos: interromper, ridicularizar, recusar qualquer evidência ou atribuir características negativas a todos os integrantes de um grupo.
Caminho para argumentar: defenda critérios para um debate produtivo, como apresentação de razões, disposição para responder a objeções e respeito aos interlocutores. Explique por que ouvir uma posição não exige concordar com ela e como a discordância pode contribuir para revisar argumentos.
Cuidado na abordagem: não coloque divergência de opinião, discriminação e ameaça no mesmo plano. A análise precisa reconhecer diferenças entre essas situações.
10. Envelhecimento e valorização da pessoa idosa
Proposta de treino: Como combater estereótipos que limitam a participação das pessoas idosas?
A proposta permite discutir a associação automática entre idade e incapacidade. Pessoas idosas possuem trajetórias, condições de saúde, interesses e necessidades diferentes, e essa diversidade precisa aparecer na argumentação. O debate pode alcançar o trabalho, a participação cultural, o atendimento em serviços e as decisões familiares. Um ponto relevante é avaliar quando uma atitude apresentada como cuidado passa a retirar da pessoa a possibilidade de escolher e participar.
Caminho para argumentar: relacione valorização à autonomia e ao reconhecimento das capacidades individuais. Explique como julgamentos baseados apenas na idade podem restringir oportunidades. Ao mesmo tempo, considere a importância de oferecer apoio adequado a quem necessita dele, sem transformar essa necessidade em uma definição de todo o grupo.
Cuidado na abordagem: evite imagens idealizadas, como a afirmação de que toda pessoa idosa é sábia, frágil ou resistente a mudanças. Mesmo estereótipos aparentemente positivos apagam diferenças individuais.
11. Acessibilidade e participação social
Proposta de treino: Quais condições tornam um serviço efetivamente acessível às pessoas com deficiência?
A acessibilidade pode ser analisada em espaços físicos, plataformas digitais, formas de comunicação e atitudes de atendimento. A existência de uma entrada adaptada, por exemplo, não resolve uma situação em que as informações necessárias continuam inacessíveis. O tema convida a observar a experiência completa de utilização de um serviço: chegar ao local, compreender as orientações, comunicar uma necessidade e realizar a atividade com a maior autonomia possível.
Caminho para argumentar: desenvolva a relação entre planejamento e participação. Um exemplo hipotético é um formulário eletrônico que depende exclusivamente de elementos visuais para indicar erros. A situação ajuda a explicar como uma escolha de projeto pode criar uma barreira e por que a acessibilidade precisa ser considerada desde a organização do serviço.
Cuidado na abordagem: mantenha o foco nas condições de participação. Evite narrativas de pena ou de superação individual como substitutas da análise das barreiras.
12. Produtividade e limites da disponibilidade no trabalho
Proposta de treino: Estar permanentemente disponível significa trabalhar melhor?
A facilidade de enviar mensagens e acompanhar tarefas a distância permite discutir o significado de produtividade. Responder rapidamente pode ser importante em determinadas atividades, mas a qualidade de um trabalho também envolve concentração, precisão e cumprimento de prioridades. O tema pede uma análise sobre como expectativas de disponibilidade são definidas e sobre os conflitos que surgem quando qualquer demanda passa a ser tratada como urgente.
Caminho para argumentar: diferencie presença constante e entrega de resultados. Explique como interrupções podem dificultar atividades que exigem atenção e por que critérios claros de prioridade ajudam a organizar o trabalho. Considere também que funções distintas têm necessidades diferentes de atendimento e resposta.
Cuidado na abordagem: não transforme a redação em diagnóstico de saúde ou em orientação trabalhista. Desenvolva o debate sobre organização, qualidade e expectativas profissionais.
13. Educação e formação do pensamento crítico
Proposta de treino: Qual é o papel da educação na formação de pessoas capazes de avaliar informações?
Ter acesso a conteúdos não significa compreender sua qualidade, seus limites e sua relação com outras informações. A formação do pensamento crítico envolve interpretar textos, comparar explicações, reconhecer evidências e justificar conclusões. A proposta permite discutir práticas de leitura e aprendizagem que favoreçam essa autonomia. Também abre espaço para examinar a diferença entre memorizar uma resposta e entender o raciocínio que permite construí-la.
Caminho para argumentar: relacione leitura, investigação e capacidade de revisão. Um argumento pode mostrar a importância de identificar a origem de uma afirmação; outro pode explicar por que lidar com interpretações diferentes ajuda a formular posições mais fundamentadas.
Cuidado na abordagem: evite atribuir à escola a solução isolada de todos os problemas sociais. Delimite sua contribuição e considere a participação de outros ambientes de aprendizagem.
Para ampliar esse eixo, o conteúdo sobre possíveis temas de redação da PND reúne discussões educacionais. Aproveite os assuntos para estudar, observando as exigências próprias de cada seleção.
14. Apostas digitais, publicidade e decisões de consumo
Proposta de treino: Como a publicidade de ganhos rápidos pode influenciar decisões financeiras?
O debate sobre apostas digitais permite examinar a relação entre expectativa de recompensa, comunicação publicitária e escolhas de consumo. Um recorte produtivo é analisar o que acontece quando a apresentação de ganhos recebe destaque e as possibilidades de perda ficam em segundo plano. A redação pode discutir como o público interpreta essas mensagens e quais responsabilidades surgem quando pessoas com grande alcance associam sua imagem a produtos que envolvem risco financeiro.
Caminho para argumentar: relacione qualidade da informação e autonomia de escolha. Explique por que conhecer riscos é relevante para uma decisão e examine os limites de responsabilizar apenas o consumidor. A análise pode considerar a participação de anunciantes, plataformas e divulgadores, sem depender de números que o candidato desconheça.
Cuidado na abordagem: diferencie discussão social, proposta política e regra em vigor. Qualquer afirmação sobre proibição, autorização ou mudança legislativa precisa de confirmação.
O artigo sobre apostas digitais como assunto de redação apresenta outros recortes para estudar publicidade, consumo e responsabilidade.
15. Consumo, descarte e responsabilidade coletiva
Proposta de treino: Como distribuir responsabilidades pelos efeitos do consumo e do descarte?
A discussão pode começar antes do momento em que um produto vira resíduo. Durabilidade, possibilidade de conserto, quantidade de embalagens e frequência de substituição são escolhas que permitem examinar a relação entre produção e consumo. O tema também pede atenção às condições disponíveis para descartar materiais adequadamente. Cobrar uma conduta individual sem considerar infraestrutura e informação pode deixar uma parte importante do problema fora da análise.
Caminho para argumentar: distribua a discussão entre consumidores, empresas e poder público. Explique como decisões de fabricação podem facilitar ou dificultar o reaproveitamento e como serviços de coleta influenciam as possibilidades de ação da população. Um exemplo hipotético é a tentativa de separar resíduos em um local sem orientação sobre sua destinação.
Cuidado na abordagem: evite afirmar que todo produto descartável é desnecessário ou que qualquer alternativa reutilizável é sempre superior. As condições de uso precisam ser consideradas.
16. Exposição nas redes sociais e reconhecimento pessoal
Proposta de treino: Quais são os limites da busca por reconhecimento nas redes sociais?
Publicar experiências permite compartilhar interesses, manter vínculos e divulgar trabalhos. A proposta, porém, convida a examinar o que acontece quando a aprovação recebida passa a orientar excessivamente as escolhas de exposição. É possível discutir a seleção de momentos apresentados ao público, a comparação entre trajetórias e a transformação de aspectos íntimos em conteúdo. O argumento ganha consistência quando analisa situações e critérios, sem presumir que todas as pessoas utilizam as redes da mesma maneira.
Caminho para argumentar: diferencie o desejo de reconhecimento da dependência de respostas públicas para avaliar as próprias escolhas. Discuta também o consentimento de terceiros: compartilhar uma experiência pessoal pode envolver imagens e informações de outras pessoas.
Cuidado na abordagem: não atribua automaticamente transtornos psicológicos a quem publica com frequência. Mantenha o raciocínio nas relações entre exposição, autonomia e respeito à privacidade.
Como transformar uma proposta de treino em argumentos
O tema indica o campo da discussão. Para construir a redação, é necessário identificar o recorte e decidir o que será defendido. Se a proposta pergunta sobre inclusão digital nos serviços públicos, uma discussão ampla sobre vantagens da internet pode deixar de responder ao problema apresentado.
Veja um exemplo de planejamento autoral:
| Parte do planejamento | Exemplo aplicado |
|---|---|
| Questão central | A oferta de atendimento digital garante que todos consigam utilizar o serviço? |
| Tese possível | A ampliação do acesso depende de plataformas compreensíveis e de apoio a quem encontra dificuldades de uso. |
| Primeiro argumento | A realização de tarefas a distância pode reduzir deslocamentos e facilitar o atendimento. |
| Segundo argumento | Barreiras de compreensão e operação podem impedir que parte do público aproveite essa facilidade. |
| Conclusão possível | A qualidade da digitalização deve ser avaliada também pela capacidade de atender usuários com diferentes condições de acesso. |
Na versão desenvolvida, cada argumento precisa apresentar uma explicação. Depois de afirmar que uma barreira dificulta o acesso, mostre como isso acontece, qual consequência produz e por que essa consequência sustenta a tese. Esse encadeamento transforma uma observação em argumento.
Exemplo autoral de desenvolvimento
“A disponibilidade de um serviço na internet não garante que todos consigam utilizá-lo. Quando uma plataforma apresenta instruções pouco claras e não oferece apoio, o usuário pode interromper o procedimento mesmo tendo acesso à conexão. Nessa situação, a digitalização reduz deslocamentos para parte do público, mas mantém uma barreira para quem necessita de orientação.”
Observe a sequência: o parágrafo apresenta uma ideia, descreve uma condição e explica sua consequência. Use essa lógica para desenvolver seus próprios raciocínios, adaptados ao enunciado de cada exercício.
Como estudar repertório para esses temas
Escolha materiais que ajudem a compreender o problema: reportagens com fontes identificadas, documentos institucionais, pesquisas e textos de análise. Registre a ideia central, sua origem e a relação que ela pode estabelecer com uma proposta. Se houver um dado numérico, anote também o período e a população a que se refere.
Para estudar inclusão digital, por exemplo, procure compreender obstáculos de acesso e utilização. Para estudar envelhecimento, observe discussões sobre autonomia e participação. Assim, o repertório contribui para explicar o assunto e pode ser adaptado a diferentes perguntas.
A seleção de temas de redação para a FGV também pode ampliar as discussões de treino. Ao utilizar materiais de outra banca, mantenha como referência as instruções específicas da redação do TJSP.
Como organizar os treinos e revisar a redação
Uma rotina possível é produzir duas redações por semana e reservar outro momento para analisar os textos. Intercale os eixos: depois de escrever sobre tecnologia, escolha uma proposta sobre convivência ou cidadania. A variação ajuda a praticar relações de causa, consequência, comparação e limite.
- Leia a proposta e delimite a pergunta. Identifique os termos que precisam aparecer no raciocínio e as relações solicitadas entre eles.
- Formule uma tese. Escreva, em uma frase de planejamento, a posição que pretende defender.
- Escolha argumentos diferentes. Evite dois parágrafos que apenas repitam a mesma ideia com outras palavras.
- Desenvolva as explicações. Mostre como cada situação ocorre e por que ela sustenta o posicionamento.
- Conclua a partir do que foi discutido. Verifique se o encerramento decorre dos argumentos apresentados.
- Revise conteúdo e linguagem. Primeiro, confira a lógica; depois, examine pontuação, concordância, repetições e clareza.
Nas simulações, siga as instruções e o espaço de escrita do material oficial. Registre quanto tempo utiliza para planejar, redigir, revisar e passar a limpo. Essa observação ajuda a ajustar o ritmo sem deixar a transcrição para os minutos finais.
| Pergunta de revisão | O que observar |
|---|---|
| Respondi à proposta? | O texto discute o recorte solicitado, sem se limitar ao assunto geral. |
| Minha posição está clara? | É possível reconhecer o que a redação defende. |
| Expliquei os argumentos? | As afirmações apresentam razões, relações e consequências. |
| Os parágrafos avançam? | Cada parte acrescenta algo ao raciocínio e se conecta às demais. |
| A linguagem está compreensível? | As frases têm sentido claro, os termos são precisos e as repetições foram reduzidas. |
Escolha uma das 16 propostas e prepare hoje um planejamento com tese e dois argumentos. Depois de escrever, identifique o trecho menos desenvolvido e reescreva esse parágrafo. Esse exercício permite trabalhar uma dificuldade concreta antes de passar ao próximo tema.
As propostas e os exemplos deste conteúdo foram elaborados pelo Escritora de Sucesso para fins de estudo. Consulte o edital e as publicações da organizadora para acompanhar as regras aplicáveis à sua seleção.
Professora formada em Letras – Português/Inglês pela UEPG, pós-graduada em Psicopedagogia Escolar e Arte na Educação pela FAPI e em Educação Especial pela Facuminas. Atua com produção de conteúdo, revisão, redação SEO e escrita para web desde 2018.





